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"Sou portuguesa"

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Maria Imelda Souza, 82 anos, natural de Goa, portuguesa.

Frágil? Não se deixe iludir pelo aspeto. Tira da carteira o cartão de atleta. E mostra.

"O ano passado corri mil metros e ganhei". Não diz em que categoria, e não interessa.

Imelda, professora do "magistério primário", não foi convidada pela "sociedade civil" de Goa que recebeu António Costa.

O cartão de atleta e o bilhete de identidade de portuguesa não lhe deram direito a entrar.

Tanto faz.

Ficou à porta.

Pede desculpa pelo português, embora fale de forma praticamente irrepreensível.

"Fui professora primária, já lhe tinha dito?", mas queixa-se de que fala cada vez menos português, por não ter com quem.

Mas o facto de não ter convite não a fez desistir - apesar de ter o cartão de atleta da corrida dos 1000 metros que ganhou o ano passado, e de ter o bilhete de identidade ainda manuscrito e de abrir, - fica na rua, mas não sem dar luta.

Enxotou um e resmungou, em Indu, contra o outro polícia indiano.

Os dois que guardavam a porta.

Cruzou barreiras e foi cumprimentar o seu primeiro-ministro. O de Portugal.

Não gosta de indianos. Como ela.

Ou melhor, eles não são como ela.

"São iguais" aos que lhe tiraram o país, mas não lhe levaram a nacionalidade, a língua, a cultura, a memória.

Imelda.

82 anos.

Desde 1961 que não comemora o aniversário.

Não porque não tenha orgulho na idade - "já lhe disse que tenho 82 anos?" - mas porque nesse dia a União Indiana invadiu a sua Goa e a sua Goa deixou de ser Portugal.

Pelo menos no papel.

Para ela, Goa será sempre Portugal.

Nunca mais fez anos. Mas continuou a somá-los.

82. Frágil? Não se deixe enganar.

Se for preciso, se fosse preciso, Imelda pegava na "sombrinha" e atacava quem lhe aparecesse pela frente.

Afinal, é por causa "deles" que ela não sopra as velas desde 17 de dezembro de 1961.

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