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A morte das sondagens foi ligeiramente exagerada

Benoit Tessier

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Um atentado sem efeitos eleitorais, sondagens que acertaram em praticamente tudo, inexistência do chamado eleitorado envergonhado. E um candidato que se situa no centro político com fortíssimas hipóteses de vencer a segunda volta. As presidenciais francesas tiveram uma chuva de acontecimentos anormais, mas acabam por ser um choque de normalidade. Pelo menos até agora...

O atentado de quinta-feira, nos Campos Elísios, não teve qualquer efeito eleitoral. As sondagens feitas até esse dia acertaram com bastante precisão nos resultados da primeira volta das presidenciais francesas. Num país que vive um longo estado de emergência e que tem sofrido vários atentados muito violentos, não era claro que esse efeito não existisse. Mas não existiu. O medo não surgiu ou, pelo menos, não teve qualquer efeito no voto. As eleições francesas deste domingo foram uma vitória da normalidade.

Desde 2015 que não víamos umas eleições importantes a correrem de forma tão previsível. As sondagens acertaram em cheio. As mesmas sondagens que foram a enterrar no Brexit e a cremar nas eleições americanas. Não só acertaram nos resultados como, pelos vistos, acompanharam muito bem as imensas cambalhotas que a campanha eleitoral deu. Candidatos clássicos foram desprezados pelos seus eleitores ou esmagados por escândalos, candidatos novos foram incensados por eleitores que procuravam um discurso diferente, candidatos dos extremos alargaram o campo de apoio. Não houve nada ou quase nada que escapasse aos institutos de sondagens.

Até o chamado voto escondido ou voto envergonhado, que tanto sucesso fez na vitória do Brexit e na eleição de Donald Trump, não deu sinais de existência. Quem disse que ia votar e no que ia votar, fê-lo mesmo. A base de Marine Le Pen era a que se previa. Pode subir numa segunda volta? É natural que sim. Mas pode ganhar? Se a vitória da normalidade for estrutural isso não vai acontecer. Não é por acaso que as sondagens acertam, é porque os eleitores se comportam segundo padrões compreensíveis e previsíveis. E se assim for, as sondagens voltarão a acertar. Mas, atenção, o que importa são as sondagens feitas a partir desta noite.

Não há nenhum estudo que tenha dado a hipótese de vitória a Marine Le Pen. Mas todos os estudos eleitorais foram feitos com cenários hipotéticos e com várias duplas possíveis. Agora só há uma dupla: Macron contra Le Pen. Só agora é que as sondagens passarão a ser mais concretas. Há quinze dias para decidir em quem votar na segunda volta e vai ser fundamental seguir as tendências dos indecisos e dos abstencionistas. Até agora era claro que Marine Le Pen dificilmente passava a barreira dos 35%/40%. E que Emanuel Macron dificilmente vinha abaixo dos 60%. Mas só o alinhamento de forças, de indecisos e de abstencionistas pode confirmar as expetativas.

Esta vitória da normalidade provocou estragos imensos nos sistema político, que terá de se reerguer depois disto tudo. A V República, fundada por De Gaulle, morreu ontem. Nem o PS nem os Republicanos estão na segunda volta. Vão juntar-se em torno de Macron sem conhecer o seu futuro. Vão impedir a ascensão da extrema direita, a saída da UE e do Euro, mas nem sabem se vão existir ou como vão existir daqui por uns meses. É o preço a pagar pela vitória de um candidato que criou um partido há apenas um ano e que se vai sentar no Eliseu sem ter apoio parlamentar. Depois das presidenciais, muitas contas haverá por fazer e niguém arrisca o que aí vem. Mas os próximos quinze dias têm tudo para ser de normalidade.

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    Miguel Sousa Tavares

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