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Cristas, o Metro e a credibilidade na política

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Vejamos o lado positivo. Finalmente ficámos a saber o que quer Assunção Cristas para Lisboa: mais 20 estações de metro. A líder do CDS e candidata à capital teve um sonho “faraónico”. O problema é que esse delírio “construtivo” fez-nos lembrar um pesadelo passado: o tempo das grandes obras.

Parece-me relativamente óbvio, e consensual, que todos nós ambicionamos por melhores infraestruturas nas cidades portuguesas. Quem não gostaria que o metro de Lisboa e do Porto tivesse mais estações? Ou, para dar outro exemplo, não era bom ter o TGV a ligar o norte e o sul? O problema é que não podemos propor obras como se não houvesse amanhã e, ao mesmo tempo, apontar para a nossa dívida colossal e para o quanto pesa no orçamento. O que Cristas fez no Parlamento foi irresponsável e pouco sensato.

Vejamos: ainda há dias, num outro debate quinzenal, Cristas denunciava o desinvestimento no Estado Social pelo governo das esquerdas. A líder do CDS perguntava ao primeiro-ministro não só pela dívida “escondida” no setor da Saúde, como também pelas consequências das cativações nos hospitais e escolas. Mas foi esta mesma líder do CDS que, em nome de um “futuro”, não se coibiu de atirar com uma catrefada de estações sem cuidar de nos apresentar um plano com contas e argumentos válidos que justifiquem essa opção. A política não pode ser isto.

Já todos percebemos que Assunção quer vestir um fato novo. Só o futuro lhe interessa. E do passado nem quer ouvir falar. Isso ficou claro na entrevista que deu ao Público e pela forma como falou do seu ex líder, Paulo Portas, e do seu ex-primeiro-ministro, Passos Coelho. O problema é que com esta proposta, Cristas foi puxar precisamente o tal passado negro que ela e toda a direita criticaram. O passado das obras faraónicas que se faziam sem pensar no tal “futuro”, nem em quem pagava a conta: fica para a dívida. Aliás, coincidência das coincidências, foi precisamente no governo de Sócrates, e também em véspera de eleições, que os portugueses ficaram a conhecer uma proposta muito semelhante. A única diferença é que na altura propunham-se não 20 mas 30 estações.

Cristas, por mais que possa parecer, não é uma política “verdinha”. Foi ministra, e com destaque, de um Governo que teve de lidar de uma forma brutal com os gravíssimos problemas financeiros do país. Por isso se exigia um pouco mais de bom senso. Sobretudo porque Cristas faz esta investida depois do flop governamental que esta semana começou por nos dizer que ia construir mais 4 estações mas afinal são só duas. Cristas quis apanhar a onda, mas acabou encharcada no seu eleitoralismo.

A credibilidade na política demora a construir. Mas destrói-se em menos de um fósforo. Cristas reacendeu o rastilho. Não é a primeira vez que nos mostra ser detentora de uma retórica fácil onde parece importar pouco o que se defendeu no passado. A política não pode ser apenas e só um “número de circo” feito de cartazes com letras a bold e cores garridas.

Em vez de nos acenar com umas fantasiosas 20 estações, diga-nos o que quer de facto para a capital! Até quando continuará a “Ouvir Lisboa”?

E no que a grandes obras diz respeito, Assunção devia olhar para o exemplo de Costa. Com todos os defeitos que possa ter, o primeiro-ministro acertou quando propôs que as grandes obras devem ser aprovadas por uma maioria de dois terços. Ao menos assim, esta dívida, se houver, é consentida por todos. O país está cansado dos iluminados que nos deixam na escuridão.

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