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Bernardo Ferrão

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A “história simples” de António Costa para as eleições

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Quem ganha politicamente com os números do crescimento? Pedro Passos Coelho que sempre apontou para um modelo assente nas exportações e no investimento? Ou António Costa que, apesar de ter corrigido a estratégia, consegue um brilharete na sua ação executiva? As opiniões, como sempre, dividem-se. Mas parece-me evidente que Costa reforça a liderança, ganha discurso e mostra resultados. A confiança (e não só) tem destes milagres.

Por esta hora, sucedem-se os alertas no meu telemóvel. As redações vão libertando artigos online com as várias leituras dos números divulgados pelo INE. Uns falam do contributo da Auto-Europa, outros do impacto dos fundos europeus, outros do falhanço do Governo por ter alcançado este resultado com a receita do governo de Passos. Tudo isto pode ser lido no valor hoje conhecido, mas este é o facto: o país conseguiu o melhor resultado do PIB em 10 anos. 2,8%. É obra. E ficará com a assinatura de António Costa.

Passos Coelho virá a publicar reclamar créditos passados. E fá-lo-á com a sua razão. Este crescimento não nasceu agora. Houve um caminho feito pelo Governo da PAF e é preciso não esquecer as reformas de então que foram decisivas – se outras tivessem prosseguido, os resultados dos trimestres anteriores podiam ter sido mais generosos. Mas o que o PSD não percebe (ou parece não querer perceber) é o impacto de uma palavra simples: confiança.

O que faltou, por razões óbvias no governo anterior, cresce a olhos vistos nesta altura.

Nas últimas legislativas a direita encontrou na “saída limpa” a história simples que precisava para ganhar as eleições. Agora, com Marcelo a ajudar, é a vez de Costa mostrar a sua. O que parecia impossível foi feito: o Governo das esquerdas, de quem se dizia que só ia assustar os investidores e a Europa, afinal conseguiu o défice mais baixo da democracia e o melhor resultado do PIB em 10 anos. Como se isto não bastasse, a reforçar-lhe a liderança, do outro lado da barricada, o primeiro-ministro tem um PSD que andou frouxo na pontaria e demasiado colado a um passado de culpas e sacrifícios.

É verdade que Governo teve mudar de estratégia – este não era o modelo económico original – mas é também verdade que o fez ao mesmo tempo que se ia impondo como a “geringonça” das reposições e reversões. Ou seja, mostrando ao país que afinal a narrativa dos caminhos únicos tem muito que se lhe diga. Mais: Costa fez tudo isto com um orçamento de austeridade (as esquerdas limita-se a assinar por baixo) traduzido em brutais cortes na despesa do Estado – veja-se o que se passa na Saúde e na Educação - e com um fraco investimento público. Ou seja, nem a receita “à Passos” o fragilizou.

No jogo político, e na vida das pessoas, as perceções contam muito. Mas agora é mais do que isso. Há resultados. E estão a chegar às pessoas. Nos estudos de opinião o PSD surge em queda continuada. É verdade que as sondagens são o que são, sobretudo a esta distância das eleições, mas sabemos do impacto que vão tendo junto das bases partidárias. O PSD não está em boa forma e muito por causa do seu líder que, com toda a sua coerência, não soube rebater o jogo subliminar de Costa. No sorridente primeiro-ministro houve sempre um subtexto. Costa percebeu que partia de baixo e deixou-se por lá ficar. Quanto mais baixas eram as expectativas mais ganhos seriam acumulados. Foi este o adubo da “geringonça”.

Agora é preciso fazer mais. O crescimento tem e deve estar ao serviço do país e não de um mero ganho eleitoral. Há 10 anos, quando se registou um resultado semelhante, os portugueses também ouviram Sócrates cantar vitória. Mas agora, todos esperamos que seja diferente.

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