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A indústria da solidariedade

As IPSS são estruturantes no país. Fazem o que Estado não faz porque não pode, não quer, ou não chega a tudo. Chama-se sociedade civil a funcionar. E o Estado subsidia, ajuda, (com)participa, apoia. Nada contra. A questão é quando as IPSS e outras instituições, fundações, associações, federações e quejandas se tornam verdadeiras "indústrias".

Podem, e devem, funcionar como empresas, do ponto de vista da gestão profissional.

Não podem, nem devem, funcionar como coutadas, quintas, propriedade dos seus dirigentes que, em muitos casos, se confundem com as instituições.

E, claro, quando se chega a esse ponto, os dirigentes tornam-se "patrões" da tal empresa, da tal indústria, e acabam a subverter a ideia de "sem fins lucrativos", que preside – devia pelo menos – à génese da coisa.

Segundo esta lógica, e apesar dos salários da solidariedade estarem tabelados, os dirigentes que se tornam patrões de instituições que se tornam industrias ou empresas, comportam-se como tal.

Geram o dinheiro dos donativos, dos apoios públicos e dos sócios como se fosse seu.

Como se a "empresa" que gerem tivesse sido criada para gerar lucro e não para acudir a necessidades das populações.

Custa ver.

Custa perceber como o que começa por ser um projecto meritório, arrancado a ferros e com alto valor solidário e social se torna numa imundície.

E, sim, vem a propósito das raríssimas, mas podia ser de outra coisa qualquer: uma federação desportiva (vi números assustadores de algumas por estes dias), os órgãos sociais de uma qualquer Ordem profissional e outros, tantos outros exemplos do que a sociedade civil cria e depois suga.

A solidariedade e o voluntariado dão muito dinheiro.

Sobretudo quando em nome da solidariedade e do voluntariado se fazem fortunas.

Sempre, claro, "sem fins lucrativos".

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