iPad: Jobs assaltou a loja, outra vez

28.01.2010 15:22

Esta noite houve muitos pesadelos. Quase tudo o que se esperava do iPad está lá. Mas agora já não é mera especulação. Existe, vai ser vendido e tem tudo para mexer vários mercados.

Não estamos a falar de mais um brinquedo. Tal como aconteceu com o iPod e o iPhone, do anúncio de ontem nascerão empregos, muitas pessoas vão ter que procurar novo trabalho, uns poucos poderão ganhar fortunas e outros odiarão para sempre o dia em que perderam as oportunidades da sua vida.



Quando surgiram os iPods e a loja de música da Apple, já existiam outros bons leitores de música, já existiam lojas online. A Apple tomou de assalto este mercado, percebeu melhor o que os consumidores queriam, baixou e muito os preços. Acima de tudo tornou agradável e prático o acto de comprar. Hoje tem de longe a maior fatia do mercado de música, mesmo que juntemos o mercado dos CDs ao da venda legal online.



Ontem, o que Steve Jobs fez foi gritar bem alto que quer fazer o mesmo com o mercado de livros online. Deixou que o mercado crescesse, observou e agora tomou a loja de assalto antes que fosse tarde demais.



Não estou a dizer que os outros vão acabar, não sou catastrofista a esse ponto. Mas muitos possuidores de Kindles e dos seus primos estão desde ontem arrependidos do investimento que fizeram. Ler é na maior parte das vezes um acto de prazer e isso Steve Jobs conhece bem. Várias marcas têm investido muito dinheiro e trabalho nos seus Ebooks, ontem a Apple mudou uma letra. Sempre quero ver daqui a um ou dois anos se lhes chamamos Ebooks ou iBooks.



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O iPad vem colmatar o que considero uma falha de percepção de alguns consumidores. Continuamos a falar do iPhone como de um telefone. O iPhone não é um telefone, é um pequeno computador de bolso que também faz chamadas, e melhor do que grande parte dos telefones. O iPad não faz chamadas, não chega a ser um verdadeiro computador, mas é percepcionado como um computador e faz muito mais do que a maioria das pessoas irá precisar num portátil, sobretudo se for correctamente entendido como um complemento ao computador lá de casa, mesmo que este seja Windows.



Sem ser tão ameaçador, Jobs disse claramente que quer um pedaço do mercado dos jogos ditos ocasionais. Não o mercado das grandes consolas, sim o mercado do pequeno jogo que sai do bolso para matar uns minutos. Agora foi um pouco mais longe e disse que sim ao mercado da consola portátil que se joga no sofá. Mas aqui já tem concorrentes bem implantados.



Onde Jobs queria muito mais, e talvez lá chegue um dia, é no mercado do vídeo e dos filmes online. Vai andado, vai andando, mas se não foi fácil impor os seus argumentos às editoras de música, a indústria das imagens em movimento é um osso ainda mais duro de roer.



Obviamente que o iPad não é mágico, nem é em si o que chamaríamos um aparelho revolucionário, mas é notícia não só graças à genial e de certa forma perversa estratégia de marketing da Apple, mas porque tem de facto o potencial para influenciar as nossas vidas, a forma como nos divertimos e trabalhamos. Como aconteceu com o iPhone tem o potencial para se tornar na referência do seu segmento, com as outras marcas a lançarem sucessivamente aparelhos que comparam sistematicamente ao iPad.





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