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Anselmo Crespo

Costa, o habilidoso

Anselmo Crespo

Anselmo Crespo

Editor de Política SIC

Eu subestimei António Costa. Tenho que confessar. Reconhecia-lhe uma enorme capacidade política mas, ainda assim, subestimei-o. E tenho a certeza que não fui o único. Vamos saltar todo o percurso até chegar a primeiro-ministro. Uma parte da história já está contada. A outra fica para contar mais tarde. Basta-me o que se passou entre o final da semana passada e o início desta semana.

O episódio dificilmente se explica a uma criança de 5 anos, mas eu vou tentar.

O Orçamento do Estado para este ano tinha dois artigos que resultavam de compromissos internacionais assumidos pelo Estado Português, muito antes de António Costa ser primeiro-ministro. Um implicava ajuda financeira à Grécia, o outro, ajuda financeira à Turquia.

Ora, estes dois artigos corriam o risco de serem chumbados. Porquê? Porque o PCP e o BE não concordam com estes compromissos e iam votar contra. É estranho que o Bloco não concorde em ajudar a Grécia que é governada pelo Syriza e que o PCP não concorde que é preciso ajudar a Turquia a lidar com o drama dos refugiados, mas é o que é.

O problema é que, sem o voto do PCP e do BE, António Costa precisava, pelo menos, da abstenção do PSD. Fácil. Se foi o próprio Passos Coelho a assumir estes compromissos internacionais, fazia sentido que votasse favoravelmente. Errado. O PSD tinha decidido votar contra todos os artigos do Orçamento do Estado e abster-se nas propostas de alteração. Se seguisse esta regra estes dois artigos eram chumbados e Portugal ia faltar com a palavra dada pelo próprio... Passos Coelho. A incoerência, em si mesma, devia ter sido suficiente para o PSD dar o assunto por terminado e deixar passar os dois artigos, mas não foi.

António Costa foi obrigado a puxar pela criatividade. Pegou na regra criada pelo próprio Passos Coelho e usou-a contra ele. Reformulou os dois artigos e voltou a apresentá-los como propostas de alteração. Depois foi só esperar que, desta vez, o PSD fosse coerente. Deu-se bem. Os dois artigos foram aprovados com os votos a favor do PS e com abstenção do PSD. O CDS absteve-se no caso da Grécia e votou a favor no caso da Turquia.

Chapeau. De uma assentada António Costa ultrapassou dois problemas: o do Governo e o de Passos Coelho. Talvez seja por isso que um é primeiro-ministro e o outro já não. Porque a habilidade em política é muito importante.

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