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Anselmo Crespo

Mercados. Feios, porcos e maus!

Anselmo Crespo

Anselmo Crespo

Editor de Política SIC

Só por causa deste título os juros da dívida portuguesa já devem ter disparado. São assim os mercados. Uns sensíveis. Têm humores como as pessoas normais. Às vezes acordam mal dispostos. Se alguém os contraria ficam logo instáveis. Precisam de confiança, se não ficam inseguros e nunca se sabe o que podem fazer. Os mercados mandam. Nós obedecemos. É assim. Quem paga manda. Quem pede emprestado amocha.

O mundo tornou-se dependente dos mercados. Os estados habituaram-se a viver do que não cobram e, sobretudo, do que não produzem. Estão lá os mercados que emprestam. Toda a gente sabe que não se ganham eleições sem promessas e que as promessas não se cumprem sem dinheiro. Não há dinheiro? Pede-se aos mercados. Pagamos depois. Temos que pagar agora? Pede-se outra vez emprestado para pagar o que devemos. Quando é que pagamos? Pode ser daqui a 10 anos? Quanto mais tarde melhor. Juros? Pagamos, claro. Como? Pedimos aos mercados. O importante é manter a torneira aberta.

Quando há oito anos o mundo descobriu que a economia estava assente em dívida, que essa dívida era impossível de pagar e que estávamos todos dependentes dos mercados, foi o choque. Depois vieram as críticas e mais tarde as promessas de grandes mudanças. Não aconteceu. A desregulação continua. A dependência mantém-se. A dívida aumentou exponencialmente. Os mercados, esses, voltaram ao "business as usual" mas mudaram algumas coisas. Encontraram novas formas de inventar dinheiro, resguardaram-se mais, encontraram outros caminhos para chegar ao mesmo objetivo. O lucro. As agências de rating, tão importantes para a estratégia vencedora dos mercados, conseguiram passar entre os pingos da chuva. Os mesmos estados que as criticaram continuam a financiá-las porque não encontraram nada melhor entretanto e o dinheiro, lá está, não cai do céu. Cai dos mercados.

Portugal é um dos mais dependentes. Oito anos depois, eis-nos novamente com medo e sem alternativa aos mercados. Eis-nos novamente a pedir e a prometer pagar mais tarde. Eis-nos sem um plano de produção de riqueza. Como podia ser de outra forma se o nosso objetivo foi, desde o início, regressar aos mercados?

O mundo não aprendeu nada com a crise dos últimos oito anos e esse é, provavelmente, o maior atestado de estupidez que se pode passar aos líderes mundiais. Talvez não seja estupidez, talvez estejam só a fazer-nos passar por estúpidos. Quanto à dívida, está cada vez maior e cada vez mais impagável. A nossa e a dos outros. Eu sei, eu sei, os mercados ficam nervosos quando se fala nisso. Tomem um xanax que isso passa.

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