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Anselmo Crespo

A esquizofrenia da política

Anselmo Crespo

Anselmo Crespo

Editor de Política SIC

António Costa ambiciona estabilidade política. E das políticas. Passos Coelho queria o mesmo. Na verdade, todos os primeiros-ministros em Portugal professaram este discurso. E todos, sem exceção, falharam.

Em pouco mais de três meses António Costa mudou as regras do ensino a meio de um ano letivo. Rasgou um acordo para o IRC que o próprio PS tinha assinado. Reverteu o que pôde na justiça. E, agora, alterou as prioridades dos fundos comunitários. Passos Coelho não fez muito diferente. Deitou fora as novas oportunidades. Meteu o simplex na gaveta. Mexeu e remexeu no sistema de educação. E provocou um turbilhão na justiça que deixou marcas até hoje.

É a triste sina da política portuguesa. As reformas estruturais nunca são para levar a sério. Reformar o País tornou-se um slogan governamental. Fica bem em qualquer discurso, serve de arma de arremesso político para dizer que outros não fizeram o mesmo, mas não passa disto. Quem está no governo quer reformas e pede consensos. Quem está na oposição raramente está disponível para esses consensos mas está sempre de acordo que as reformas são necessárias. Parece esquizofrénico? É porque é mesmo.

O mais extraordinário é que, no que toca a reformas importantes para o país, PS e PSD, normalmente, estão de acordo. É preciso reformar a justiça? Sim. E a educação? Também. É preciso melhorar a qualificação dos portugueses? É importantíssimo. Aumentar a competitividade das nossas empresas? Fundamental. Melhor a coesão social? Extraordinariamente importante. Inovação? Urgente. É mais ou menos como os discursos da Miss Mundo. Acabar com a fome e com a guerra. Paz para o mundo. Quem consegue discordar disto? Ninguém. Como é que se faz isto? Essa é uma resposta mais difícil de dar.

As reformas importantes para Portugal estão todas identificadas. Falta encontrar a melhor forma de as implementar. Falta implementá-las. E depois falta levá-las a sério. Para isso os partidos políticos têm que crescer. Sair da puberdade e tornarem-se adultos. Têm que perceber que diversidade de opiniões não impede consensos. Que ser oposição não é ser do contra. Que ser governo não significa ter sempre razão. Que a democracia também é feita de compromissos. Que estão ao serviço do país e não de si próprios.

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