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Anselmo Crespo

A austeridade demagógica

Anselmo Crespo

Anselmo Crespo

Editor de Política SIC

António Costa quer demarcar-se de Passos Coelho através da austeridade. Ou “eles” ou “nós”. Ou “eles” que defendem a austeridade para Portugal, que a implementaram e a continuam a defender ou “nós” que nos queremos ver livres dessa austeridade, que estamos a acabar com ela porque achamos que ela é desnecessária. Esta retórica política, que começou antes das eleições, continua, como se ainda estivéssemos em campanha eleitoral. E se calhar estamos.

Depois das garrafas de champanhe que António Costa abriu publicamente com a vitória do Siryza na Grécia, o agora primeiro-ministro foi a Atenas assinar uma carta contra a austeridade, com Alexis Tsipras. Ambos querem convencer a Europa a mudar de estratégia, mas ambos têm estratégias diferentes para o fazer. Tsipras não tem medo do confronto, apesar de esse confronto não o ter levado a lado algum. Costa fez questão de se demarcar dessa linha (e bem) e prefere a via do diálogo. Fosse esta questão tão simples e os problemas económicos da Europa já estariam resolvidos há muito.

A austeridade, lamentavelmente, não é apenas uma questão ideológica ou de escolha. Queremos ou não queremos. Acreditamos nela como solução ou temos caminho melhor? Colocar a questão nestes termos é, não só demagógico, como imprudente. Demagógico porque toda a gente sabe, da esquerda à direita, que quando o dinheiro acaba o que sobra é a austeridade. Tenha ela a forma que tiver. Imprudente porque a história recente está cheia de responsáveis políticos que, sendo contra a austeridade, acabaram a implementá-la, a defendê-la e a considerá-la necessária. Não é preciso recuar muito, basta pensar em José Sócrates. Nem ir muito longe, basta ir até Paris e pensar em François Hollande.

Mas a demagogia não está apenas nos que defendem a inutilidade da austeridade. Está também naqueles que, defendendo a sua utilidade, a exibem como um troféu, como se a austeridade em si mesma bastasse como política económica. A troika e o governo de Passos Coelho meteram na cabeça que o país tinha que morrer para ressuscitar. Que para chegar a um determinado fim, qualquer meio servia. E por isso cortou-se. Salários, pensões e subsídios. Aumentou-se. Impostos e tudo o mais que aparecesse à frente. Mataram-se empresas, atiraram-se milhares para o desemprego e outros tanto para fora do país. Tudo feito à pressa, sem noção dos impactos e, sobretudo, sem noção das pessoas.

A troika foi embora e o país ainda hoje anda a apanhar os cacos que ficaram espalhados. A dívida diminuiu? Não, aumentou. O sistema financeiro está mais sólido? A economia está melhor? Não, está no mesmo sítio onde estava antes da crise, ou seja, estagnada. Não, está mais frágil. Portugal já cumpre o défice? Não. É o que dá a cegueira e a demagogia de quem defende que a austeridade por si é a solução para todos os nossos problemas.

António Costa tem muita razão quando diz que o problema é político. Sem uma estratégia política não há modelo económico que resista, qualquer que ele seja. E se há coisa que tem falhado, em Portugal, mas sobretudo na Europa, é a estratégia e é a política.

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