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António José Teixeira

Importam-se de tirar os dedos dos nossos olhos?

A discussão de comportamentos pessoais e políticos de titulares de cargos públicos parece ser uma perda de tempo se tivermos em conta que Portugal tem desafios de futuro por clarificar. É uma tentação pensar assim. Talvez porque se espere pouco, cada vez menos, dos titulares da nossa representação. Talvez porque, aqui chegados e exauridos, se corra o risco de se tornar indiferente quem tome conta do nosso destino. Puro e grave engano. Nunca como hoje, ou há muito pelo menos, que não eram tão urgentes e indispensáveis as garantias de idoneidade e competência. Aquela ideia relativista de que, mais percalço menos percalço, todos nos merecemos tem conduzido ao maior descrédito da política e dos políticos. Grave problema das democracias contemporâneas é esta degenerescência dos padrões de rigor e exigência. Não é o problema da soberania moral ou da redução da política à moral. É uma questão de autenticidade e de convicção. Não há democracia que resista à ideia do vale tudo. Não pode valer tudo. E não é apenas uma questão de justiça. 

Há uma língua de pau enganadora, que nos enterte, que nos distrai, que nos desinforma. Há zonas de sombra, meias palavras e mentiras descaradas. O que se recebeu, o que se declarou, o que se pagou, dinheiro por explicar, negócios escuros, favorecimentos, flagrantes escolhas de incompetentes, muito lixo desenvergonhado sem explicação. Não é de hoje nem exclusivo deste governo ou deste ou daquele partido. Mas nestes anos em que fomos chamados a sacrifícios violentos, o que temos visto e ouvido tornou-se mais insuportável. Nas últimas semanas, a propósito da constituição de uma lista VIP de protegidos pelo fisco, assistimos a um rol de dissimuladas mentiras. Demitiram-se e foram demitidos dirigentes e ainda assim negaram-se evidências. Escondeu-se um relatório, confundiu-se a opinião pública com boas intenções e cenários de vitimização. 


A verdade é que se quis apenas proteger um contribuinte ou um pequeno grupo de contribuintes à revelia da lei. As preocupações de devassa na administração tributária, que podem atingir cada um de nós, não preocupam muito os zelosos da segurança informática. Talvez porque o que os move é tão só a segurança política de alguns... Denunciada a situação, que faz o poder político? O costume. Desafia a nossa inteligência, cego pelo controlo de danos a todo o custo. Em regra, consegue multiplicar os danos. Demitido o director-geral da Administração Tributária, que faz a tutela governamental? Nomeia com voz sonante uma responsável regional que tinha chumbado duas vezes no concurso para o lugar que agora preenche. Faz sentido? Que se quer provar? Autoridade? Que a Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública cederá à terceira tentativa? Dá que pensar o desassombro e a desfaçatez. Pelos vistos, os VIP deste país resumem-se ao Presidente, primeiro-ministro, vice-primeiro-ministro e ao próprio secretário de Estado, que tinha sido mantido na ignorância de tamanha lista VIP... Sem dúvida, notável.

Na aprendizagem da política, a retórica alimenta-se do eufemismo. Não se é bom político sem dominar a arte do eufemismo. Vivemos em pleno tempo da esperteza mais rasteira. Metem-nos os dedos pelos olhos, fazem-se exames e cursos de favor, conjugam-se lojas e influências, provoca-se o cidadão comum em tempo de cortes continuados. Implacáveis com muitos, tolerantes com alguns, afirmam-se projectos de poder destruindo a confiança na política e na democracia. O centrão político ainda não percebeu que o pouco zelo pelo rigor, a exigência e o exemplo, o estão a minar. Não admira que vão surgindo candidatos e movimentos políticos alternativos. Há espaço crescente por representar.

Os casos somam-se enquanto a baixa do preço do petróleo e dos juros nos vão alimentando a esperança em dias melhores. A maioria acredita que renovará a confiança dos eleitores. O principal partido da oposição, ansioso por regressar ao poder, já cede à tentação de prometer facilidades. As vítimas do BES agradecem desconfiadas... E ainda falta muito tempo para a campanha chegar ao adro.






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