sicnot

Perfil

Bernardo Ferrão

António Costa e o problema da palavra dada

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor de Informação

António Costa sempre disse que com ele "palavra dada é palavra honrada". A garantia tornou-se aliás uma espécie de mantra deste Governo e do Primeiro-ministro reforçada pelos acordos que foram feitos à esquerda. Foi essa junção de vontades que permitiu aos socialistas por em prática uma política de devolução de rendimentos e a promessa de que os portugueses não veriam este governo dizer uma coisa e depois fazer outra.

Com o anúncio de sanções a Portugal, mais do que a solidez da "geringonça", o problema de António Costa coloca-se ao nível da sua palavra e logo do seu Governo. É óbvio que se tiver de apresentar um plano B com mais medidas de ajustamento, o primeiro-ministro terá sérias fricções com o BE e o PCP, mas acima de tudo terá um problema com ele próprio. Afinal que viabilidade tem um governo que prometeu uma coisa e depois terá de fazer outra?


Dirão muitos que todos os Governos fizeram o mesmo: nunca cumprem o que prometeram. Sim, é verdade, mas no que toca a António Costa a questão da palavra é particularmente sensível. Primeiro porque o primeiro-ministro se afirmou, e com isso conseguiu colar as esquerdas, como sendo uma espécie de anti-Passos - Costa não se cansou de lembrar que o anterior governo faltou à palavra quando aumentou impostos e cortou rendimentos. Mas se é verdade que essa narrativa o reforçou, é igualmente verdade que fez aumentar o nível de exigência que recai sobre ele e sobre a sua palavra.


Ninguém acredita que o Governo cumpra o défice 2,2%, Costa garante que ficará abaixo dos 3% - ou seja cumpre as regras. Mas Bruxelas dá claros sinais de querer um esforço maior. E por isso quando tiver de avançar com novas medidas - até para não ver os fundos estruturais congelados - Costa, mais do que ter de escolher entre cumprir o tratado orçamental ou a paz com as esquerdas, terá de tomar primeiro uma outra decisão: honra ou não o seu próprio programa?


Nesta história das sanções há muita política à mistura. E ninguém fica bem na fotografia. Nem o anterior governo, nem o atual, nem as instituições europeias. Mas confesso que neste folhetim das sanções, é sobretudo a atitude de Bruxelas que mais me choca. É verdade que o Governo não tem contribuído para que as instituições internacionais confiem nas políticas seguidas e nos seus resultados. Mas ou sim ou sopas, o que não se pode é manter durante meses uma nuvem negra sobre Portugal (e Espanha) que só faz aumentar a desconfiança sobre nós.


Com esta pressão contínua, Bruxelas parece querer provocar um plano B, e influenciar as negociações do orçamento de 2017. A questão é perceber como é que António Costa tenciona sair disto. O PM já prometeu contestar a decisão que considerou "opaca" e "juridicamente incerta". Mas, noutro sentido, Mário Centeno também lembrou "que Portugal está a obrigado a assumir compromissos". Ou seja, disse o que a Comissão queria ouvir. Agora cabe a Costa decidir com que cara, com que palavra e sobretudo quais os compromissos pretende honrar. Os seus, os das esquerdas, ou os de Bruxelas?

  • A fábrica de caças na base aérea de Monte Real
    3:35
  • Comprar ou arrendar casa?
    8:25
  • Fui contactado por um espectador do “Contas-Poupança” (quartas-feiras, Jornal da Noite, SIC) e leitor do blogue www.contaspoupanca.pt, que foi surpreendido com uma carta do banco a aumentar o spread porque um dos serviços que tinha subscrito tinha sido extinguido. Neste caso específico, a domiciliação de ordenado. Ora, o cliente ficou estupefacto porque não mudou de empresa, não foi despedido nem tinha havido nenhuma alteração no recebimento do ordenado naquela conta.

    Pedro Andersson

  • NotPetya: Lourenço Medeiros explica o novo ciberataque global
    2:44

    Mundo

    A Ucrânia está a ser seriamente afetada por um novo ataque informático. Algumas empresas de grande dimensão estão a ser prejudicadas, agravando a dimensão global do ataque, o qual não parece ser dirigido a ninguém em concreto. Ontem, nas primeiras horas do ataque, não parava de crescer o número de vítimas.

  • Temer acusado de prejudicar Polícia Federal
    2:36
  • Violência volta às favelas do Rio de Janeiro
    3:21

    Mundo

    As favelas do Rio de Janeiro voltaram aos níveis de violência dos anos 90. A cidade de Deus foi uma das favelas pacificadas que voltou a registar tiroteios diariamente, os moradores falam de situações de trauma e do medo das crianças.

  • Trump interrompe telefonema para elogiar jornalista

    Mundo

    A jornalista irlandesa Caitriona Perry viu-se esta terça-feira envolvida num momento que a própria classificou de "bizarro": um encontro inesperado com Donald Trump, que interrompeu um telefonema com o primeiro-ministro irlandês para... a elogiar.

    SIC

  • Caricaturas de Trump invadem capital do Irão

    Mundo

    O Irão está a organizar um concurso internacional de caricaturas do Presidente norte-americano Donald Trump. Pelas ruas de Teerão já vão surgindo algumas imagens alusivas ao festival que vai realizar-se no próximo mês de julho.

  • Companhia aérea obriga deficiente físico a entrar no avião sem ajuda

    Mundo

    Um homem com uma deficiência física que o obriga a andar numa cadeira de rodas foi obrigado a subir sozinho as escadas de um avião da companhia aérea Vanilla Air. Hideto Kijima deparou-se com a situação quando estava a embarcar da ilha de Amami para Osaka, no Japão, com vários amigos que foram proibidos de o ajudar.

  • De onde vem o dinheiro de Isabel II?

    Mundo

    A rainha Isabel II vai ser aumentada - pelo exercício das suas funções -, em 2018, para 82,2 milhões de libras (93,5 milhões de euros). Este valor é pago pelo Estado britânico. Contudo, esta não é a única fonte de rendimento da rainha de Inglaterra. Isabel II também recebe pelas terras, casas e empresas que tem espalhadas pelo Reino Unido.

  • Cão corre os EUA a entregar águas aos árbitros em jogos de basebol
    0:20