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Carlos do Carmo

Visto de cima: Às duas da tarde sentei-me e desabafei

A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é do fadista Carlos do Carmo.

Neste outono de 2015 estamos de novo perante um ato eleitoral.

Tão longa inquisição, tão longa ditadura, leva-nos até um balanço de 40 anos de aprendizado democrático.

Será lugar comum repetir que o belo país que é Portugal - a minha querida pátria - lembra um barco adornado: O lado direito, ou seja o interior, cada vez mais isolado e o lado esquerdo, ou seja o litoral saturado de população, onde ao longo destes anos se cometeram os maiores desmandos em termos de construção e de agressões ao meio ambiente.

A ciclotimia levou-nos à euforia da Expo 98 e à descrença, depressão e tristeza nos dias que vivemos.

Só a ideia de que a cada passo ouvimos " eles são todos iguais" e não intervindo porque o país é nosso e não esperando que o poder nos dê de mão beijada aquilo que sentimos ter direito.

E é neste ambiente que vamos às urnas, com a quase certeza de que o partido vencedor será a abstenção.

Quem manda em Portugal que já não tem anéis e quase não tem dedos?

Não havendo soberania o cuidado das promessas eleitoriais deve ser elevado porque a " Europa forte" é que dita as regras do jogo.

É ciclópico o trabalho que está para ser realizado num país envelhecido e com uma juventude (não toda) desligada sem uma exigência séria no estudo (a escola não é uma brincadeira) numa palavra - sem horizonte.

É necessário erguer a cabeça, estruturar o país de uma forma equilibrada e não fazer da nossa terra um barquinho que navega à bolina.

É preciso alertar as pessoas para os sérios riscos em que nos encontramos todos no que diz respeito a uma questão vital e que não vi discutida na campanha eleitoral - o ambiente, o aquecimento global, os constantes cataclismos, resumindo, é cada vez mais necessária uma forte preparação cívica.

Não vou falar de " economês" porque não falo do que não sei. Mas dói-me que as pessoas sejam transformadas em números e que a condição humana seja passada para segundo plano.

Não vou falar da China, está à vista para quem quiser ver. Não vou falar da Índia, do Brasil, da Rússia que parece querer regressar ao pesarismo, o que nos tempos que correm é um perigo para toda a humanidade dado o seu elevado arsenal nuclear.

Falo sim do Médio Oriente e do continente africano que continua a ser a vergonha da nossa cara. Tantos erros, tantos desmandos, tanta ganância. Que esperam? Que os que não querem morrer em guerras onde a venda de armas é um super negócio, além da reconstrução depois de tudo arrasado, venham para a Europa à procura de um abrigo, de uma vida com alguma dignidade?

São demasiado sérios os problemas que enfrentamos para que um ato eleitoral se transforme num carrossel de minudência, num tempo em que um país, pequeno ou grande está ligado pela globalização a todos os outros.

Somos um país pobre (5 milhões de portugueses vivem fora de Portugal) mas somos excelentes quando nos é apresentado um plano que vise olhar com confiança e determinação para o que vem a seguir.

É urgente despertar!

Sobre Carlos do Carmo

Carlos do Carmo tornou-se no ano passado o primeiro português a ganhar um Grammy, considerado o maior e mais prestigiado prémio da indústria discográfica. Aos 74 anos de idade, Carlos do Carmo chegou assim ao ponto mais alto da sua carreira.

Filho de Alfredo de Almeida e de Lucília do Carmo, uma das mais distintas fadistas do século XX, de quem viria a adotar o apelido, Carlos do Carmo nasceu em Lisboa em 1939 onde ainda hoje vive.

A sua carreira teve início aos 9 anos de idade, quando gravou um primeiro disco, mas os registos oficiais dão 1964 como o tiro de partida para um percurso carregado de canções que ficaram na história da música portuguesa.

São igualmente inúmeros os prémios e distinções ao longo de uma carreira de mais de 50 anos. Carlos do Carmo foi construindo um reportório de onde se destaca o álbum "Um Homem na Cidade" entre muitos outros espécimes da mais alta estirpe que gravou ao longo da sua carreira.
De entre as sua canções mais populares destacam-se interpretações como "Os Putos", "Um Homem na Cidade", "Canoas do Tejo", "O Cacilheiro", "Lisboa Menina e Moça", "Estrela da Tarde", "Duas Lágrimas de Orvalho" muitos deles escritos com José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo e Paulo de Carvalho.

Carlos do Carmo foi também um dos maiores defensores do património fadista. Com Rui Vieira Nery protagonizou a candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade, distinção que viria a ser atribuída pela UNESCO em novembro de 2011.

Entre as suas apresentações públicas mais relevantes contam-se espetáculos nalgumas das mais prestigiadas salas de todo o mundo como o Olympia de Paris, Ópera de Frankfurt, Royal Albert Hall de Londres, Canecão do Rio de Janeiro, Savoy de Helsínquia ou a Ópera de Wiesbaden. Em Portugal, atuou no Mosteiro dos Jerónimos, no Centro Cultural de Belém, no Grande Auditório da Gulbenkian, no Coliseu dos Recreios ou no Casino Estoril.

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    A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é de Fernando Ribeiro, o vocalista dos Moonspell.

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    José Luís Peixoto

    A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é do escritor José Luís Peixoto.

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    A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é do judoca Nuno Delgado.

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