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Perfil

Fernando Ribeiro

Visto de cima: Quem quer ser Português?

A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é de Fernando Ribeiro, o vocalista dos Moonspell.

Se Portugal fosse complicado, ou impossível, até pensaria em lhes perdoar. Se errassem por inocência, a coisa fazia-se.

Se se voltasse às raízes da política: gerir o bem comum, mediando a sua justa distribuição, refletida em melhorias das condições gerais do cidadão eleitor, até lhes repetia as estatísticas e diria a toda a gente que encontro pelo mundo: Portugal é um país pequeno mas honrado!

Todavia, não posso. Eu sou apenas um músico de heavy metal de tendências góticas.

E sei que não é assim, sei que não o posso dizer. Mas acredito na possibilidade de um dia o dizer e começar por apontar o que está bem, em vez de me resumir à incompetência cronica e propositada dos nossos governantes . A minha banda, os Moonspell, não são uma banda conhecida por todos, longe disso. Nem sequer um agente de mudança óbvio, ou uma banda que fala de política nas suas letras. Aliás no último disco falámos de extinção. Pois, antes da extinção, uma espécie entra numa fase de alerta e cuidado total. Está, literalmente, em perigo. É assim que sinto Portugal, em perigo.

Incentivo sempre à mudança. Tem o seu preço sim mas tem o condão de inflamar a alma e reciclar a capacidade de acreditar. Para mim, é só olhar para trás, fazer as contas e deixar de acreditar em contos de fadas sociais-democratas ou socialistas de fim de semana.


Nasci em 1974. Para mim, as contas são redondas. Mas antes dos números, o fator humano. Do qual a política destas três décadas de democracia se tem divorciado cada vez mais, presa numa lógica de interesses, numa nébula tóxica, digna de filme apocalíptico. Não pretendo, nem consigo listar tudo o que correu mal por mera negligência, favorecimento ou incúria. Seria um tratado de bruxaria. Apenas remeto para a atmosfera que se respira agora: um ar pesado, de desconfiança, do todos contra todos, moderados versus xenófobos, animais agressivos à solta nas redes sociais. E refletir: até quando podemos suster a respiração?


Num tempo de informação excessiva que se torna desinformação, resta olharmos para dentro e deixar os nossos verdadeiros valores comandarem. O que é ser Português? Solidário ou repressor? O que queremos realmente? Que o nosso belo país seja também um justo país; que o nosso potencial seja cumprido. Ou andar por aí? O que podemos fazer? Observar, participar, influenciar ou estar quietos e calados à espera que a ventania passe? Somos o quê, afinal? Navegadores ou animais sedentários de novela e sofá? Há muita coisa em jogo nestas eleições. E talvez não sejam aquelas que achamos prioritárias. Mas é um princípio. Temos uma cabeça cheia de história, tradição, de hipóteses. O simples facto de sermos um país é uma vitória impossível na opinião de vários e conceituados historiadores. Vamos dar-lhe uso. A essa lendária cabeça. Chega de hibernação. Quem quer ser Português? A sério? O meu dedo está levantado! E o vosso? Não se esqueçam...


Portugal rocks!

Sobre Fernando Ribeiro

Fernando Ribeiro é o vocalista da banda de Metal Gótico Portuguesa MOONSPELL, que durante os seus vinte e três anos se consagrou como a banda mais internacional do nosso país, consolidando-se também em Portugal, como provam os concertos esgotados, os galardões de Ouro e Prata referentes à venda de discos. Em 2007, inclusivamente são nomeados e ganham o troféu de Best Portuguese Act, nos Prémios Europeus da MTV. Desenvolve ainda atividades paralelas à música, essencialmente no capítulo da literatura tendo publicado 3 livros de poesia (reunidos agora numa antologia a ser editada em Maio próximo), tendo assinado ainda várias traduções e escrito uma biografia dos Moonspell quando dos vinte anos da banda em 2012. Participou também, como vocalista convidado, no tributo a Amália Rodrigues (tripla platina em Portugal) e continua a colaborar regularmente com outros artistas caso dos Bizarra Locomotiva ou do Mestre António Chainho, para o qual escreveu e cantou um fado.


Vive, orgulhosamente, em Portugal mas está sempre em viagem. Este ano lançou com os Moonspell o seu décimo disco de originais (Extinct) que chegou ao primeiro lugar do Top de vendas em Portugal. Encontra-se de momento em digressão para promover o disco, digressão esta que já visitou mais de 20 países, com destaque para França, Alemanha, EUA, México, Itália, Holanda, entre outros. Este ano será totalmente dedicado à estrada com outra tour a começar em Outubro e que o levará aos territórios do Leste Europeu, Escandinávia e Báltico, não antes sem marcar presença no Rock in Rio, no Rio de Janeiro, Brasil, onde partilharão o palco com nomes como Metallica, Iron Maiden, Queens of the Stone Age, Faith no More entre outros.

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