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José Gomes Ferreira

As tentações políticas de Mário Centeno

José Gomes Ferreira

José Gomes Ferreira

Diretor-Adjunto de Informação SIC

Mário Centeno fez nos últimos dias duas intervenções marcadamente partidárias, das quais um Ministro das Finanças deveria fugir como o diabo da cruz.

No debate do Programa do Governo socialista, o novo Ministro das Finanças disse que “depois de caídas todas as máscaras e levantados todos os véus, percebemos hoje que a saída limpa (do programa de assistência financeira da Troika) foi um resultado muito pequeno para uma propaganda enorme”.

O homem que herda a pasta das Finanças já sem os técnicos do FMI a entrarem-lhe regularmente porta adentro minimizou um resultado importantíssimo que lhe permite agora governar em relativo desafogo.

O discurso que fez na Assembleia da República foi claramente escrito por outra pessoa que não ele. Nada daquele discurso cola com a sua imagem de homem sincero, preocupado com a situação de milhões de portugueses que pagaram a crise financeira do Estado com enorme sacrifício. A máquina de assessoria do PS fez o seu trabalho sob influência direta da exaltação comunista e bloquista, apostada em denegrir o passado em toda a linha, exatamente como na destruição sistemática de estátuas nos locais públicos em países onde a revolução triunfou.

Mário Centeno não pode ter produzido aquele pensamento verbalizado em linguagem de luta partidária. Foi alguém por ele.

Mais adiante no mesmo debate no Parlamento já respondia às perguntas de Mariana Mortágua sobre o Novo Banco, à maneira de economista do Banco de Portugal, que “o processo em curso está neste momento em discussão com a Comissão Europeia e com o BCE”. Centeno já tinha voltado a ser ele próprio, a pensar e falar pela sua cabeça.

Já na conferência de imprensa desta quarta-feira sobre o défice de 2015, o novo Ministro das Finanças voltou a ceder às tentações partidárias.

Foi ao Conselho de Ministros anunciar que o défice público deste ano já não poderia ficar nos 2,7 por cento ao contrário do que o governo anunciara (quando Maria Luís Albuquerque já tinha abandonado essa meta e apontado para a referência de menos de 3 por cento); e foi dizer aos portugueses que tinha de tomar medidas urgentes e inadiáveis para garantir um défice dentro do limite que permite o levantamento do procedimento por défice excessivo instaurado por Bruxelas.

Ora que medidas eram essas?

1 - O congelamento de processos pendentes de descativações e transições de saldos de gerência não urgentes.

Mas quem tinha feito as cativações foi Maria Luís Albuquerque. Estavam decididas e aplicadas. Descativá-las é que seria o erro que pressionaria o défice. Portanto Mário Centeno não fez nada. Limitou-se a deixar feito o que estava feito. Dando a ideia de que estava a tomar uma medida muito importante.

2 – A redução dos fundos disponíveis das Administrações Públicas para 2015 em 46 milhões de euros. Ora vamos lá ver quanto é isso em percentagem do PIB para efeitos de défice? 0,025 por cento?

3 – Não serão assumidos novos compromissos financeiros não urgentes. Mas nunca são assumidos novos compromissos financeiros não urgentes até ao fim do ano…

Em resumo, Mário Centeno cedeu, ou melhor, foi obrigado pela máquina partidária do PS a ceder à tentação partidária de reclamar para o governo de António Costa os louros da saída de Portugal do Procedimento por défice excessivo. Quando sabe perfeitamente que esse trabalho foi feito pelo governo anterior, goste-se ou não, concorde-se ou não com o tipo de medidas adotadas para o conseguir.

Faria melhor Mário Centeno em explicar no Parlamento quais as medidas financeiras e económicas que tem para o país, sem entrar na refrega política e ideológica.

Faria melhor Mário Centeno em explicar na conferência de imprensa do Conselho de Ministros que, para manter o défice nos três por cento, vai tomar as medidas referidas, sem mais considerações de política partidária nem classificação da herança.

Um bom Ministro das Finanças é o que sabe dizer não às máquinas partidárias do seu governo e dos partidos que o suportam.

Deveria ter sido frugal e deixado aos assessores, deputados e ministros mais políticos o ónus das acusações.

Vai precisar deste capital de sobriedade e equidistância e já está a gastá-lo.

Bem andou o novo ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes que, na cerimónia do dia Internacional da Luta contra a Corrupção, elogiou o trabalho feito pela equipa de Paulo Macedo no combate à corrupção no setor.

O mandato de Mário Centeno fica marcado por esta cedência à política partidária. Se continuar na mesma linha, o prestígio de técnico arde tão rápido como a cabeça de um fósforo. Depois escusa de vir dizer, como Teixeira dos Santos, que foi ele que deu um murro na mesa e obrigou o Primeiro-Ministro a tomar a decisão mais correta. Já ninguém acreditará.

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