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Lourenço Medeiros

O ritmo impressionante das pequenas coisas

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

Editor de Novas Tecnologias

Este parece não ter sido um ano de revoluções em termos tecnológicos. Avesso a balanços, gosto de pensar que o que fica na memória é que conta. Correndo o risco de me esquecer de muitas coisa, aqui vai a sensação que me fica de 2015, e mais uma coisa.

Pequenas mudanças no design e funcionalidades dos relógios inteligentes começam a fazer-nos acreditar que está criada mais uma necessidade que desconhecíamos até hoje. Onde ninguém precisava de telemóveis criou-se quase uma necessidade básica, quem não tem banda larga sente-se como se vivesse na Idade Média quando parece que foi ontem que a Internet nem existia. Em relação à banda larga bem, posso falar, depois de passar anos a fazer reportagens sobre o assunto e sobre as maravilhas dos novos serviços de TV (andar para trás sete dias, pausa em direto, gravações comandadas pelo telemóvel) só este mês de Dezembro pude sentir verdadeiramente o que é viver assim. Foi o preço de mudar do centro da cidade para uma pequena localidade a 20 Km de Lisboa, não que me arrependa mas parece que só agora cheguei ao Séc. XXI.

Pequenas mudanças também no design e funcionalidades dos telemóveis. Mal nos apercebemos e neste momento não há topo de gama digno desse nome que não permita a autenticação com a impressão digital. Só por si parece pouco mas é o início do fim das passwords e representa uma mudança importante na forma como pagamos. Apple e Google são os gigantes na luta pelos pagamentos online e mobile mais seguros, mas há também as Visas e Mastercards e os Paypal até os relativamente pequenos como a nossa SIBS (com o MB Way) querem a sua fatia do bolo.

E estamos finalmente a dar passos largos na Internet of Things, a Internet das coisas, o mundo em que as máquinas vão comunicar entre si para satisfazer os nosso desejos, vigiar os nossos movimentos e, em teoria, tornar a vida mais fácil. Está tudo o que tem eletricidade metido nesta tendência, as lâmpadas lá de casa, os candeeiros da rua, os eletrodomésticos, o ar condicionado, a rega do jardim, os contadores da eletricidade, de água ou gás, até a balança em que nos pesamos, os elevadores, claro os telemóveis e os relógios... Todos a enviar dados, todos nos darão algo em troca.

E este foi o ano em que um carro, sim um automóvel dos que já andam na rua, recebeu via Net um upgrade que lhe permitiu guiar, até certo ponto, sozinho. É um Tesla elétrico, e não é um protótipo, se for muito rico pode ir para a lista de espera. Para já a coisa não correu muito bem, parece que os condutores tendem a querer experimentar o sistema até ao limite, o que não é de todo uma boa ideia.

Por isso mesmo agora, no início do ano, convém estar atento à CES, a Consumer Electronics Show de Las Vegas, de longe a maior feira de tecnologia de todo o mundo, trará como sempre muitas novidades mas dizem os mais atentos que a julgar pela tendência até parece uma feira de automóveis tantas as novidades que se esperam. Tenho que repetir outra vez "ainda nos vamos rir do dia em que guiávamos os nossos carros".

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