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Perfil

Luís Represas

Visto de cima: Mais uma vez confesso a minha ignorância futebolística

A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é do músico Luís Represas.

Mais uma vez confesso a minha ignorância futebolística. De facto perdeu-se alguma informação na transmissão do ADN do meu Pai para mim (extensível aos demais irmãos). No entanto, e fruto da presença mais do que assídua do chamado desporto Rei nos media, já começo a saber umas coisitas. Estranho seria que assim não fosse já que comentários antes dos jogos e seus comentadores, comentários durante os jogos e seus comentadores, comentários depois dos jogos e seus comentadores, entrevistas em zonas reservadas, entrevistas em zonas mistas, povoam o nosso dia-a-dia quer queiramos quer não. E mesmo que não quisermos acabamos por nos render à sua omnipresença. Assim, já sei o que é pentear a bola, trivela, que o treinador do Belenenses, meu clube, é o Sá Pinto, que o Mourinho se zangou com a médica, que a espuma da barba serve para o árbitro fazer marcas no chão, e outras coisas de igual valor.

Ora as campanhas eleitorais já não conseguem despertar paixões passíveis de matracada no meio da rua durante as colagens de cartazes, já não conseguem prender o cidadão ao fervor partidário porque os partidos já não fervem de tão requentados que estão, já não arrancam lágrimas comovidas perante o cidadão que se ergue da sua miséria existencial em frente ao responsável político e à sua gélida postura na resposta “pois…”, já não deixam para a história os “olhe que não Dr. olhe que não”. Ou seja, a campanha arrebatadora e esclarecedora de antanho passou hoje a uma penosa pedinchice por um voto. Porque a malta está cansada e triste.

Eis senão quando alguém se lembrou que o que serve para uma coisa pode muito bem servir para outra. Vai daí, aplica-se ao universo político a fórmula de comunicação do futebol. E se até eu já sei o que é o mercado de transferências, o povo vai ficar a saber direitinho quais são as propostas dos partidos concorrentes às eleições para resolver os graves problemas do nosso País. Claro como água. E antão aí está. Comentários antes dos debates e seus comentadores, comentários depois dos debates e seus comentadores, entrevistas à saída do debate (zona mista) onde (tal como no futebol) os intervenientes nos relatam (em querendo) aquilo que acabamos de ver mas agora do seu ponto de vista, comentário no dia seguinte e seus comentadores. No campo do debate um esforço não para apresentar propostas e discutir conceitos e soluções mas para conquistar da parte dos comentadores um resultado que possa ser desfraldado nas manchetes. “Tal como no futebol o espetáculo também faz parte da política” alguém comentava (lá está) . Fulano ganhou, empate técnico, pouco agressivo mas na segunda parte deu a volta, esteve à defesa mas conseguiu impor-se, agressivo desde o princípio o que lhe garantiu a vitória, e por aí fora. Falta-nos agora atingir o patamar seguinte. Quero dizer, o relato do debate. Qualquer coisa como “Fulano ataca com a TSU mas Cicrano consegue recuperar a palavra e avança pela linha lateral com o tema da Troika Fulano entra de carrinho com a taxa de desemprego deixando Cicrano caído mas sem perder tempo pois levanta-se e remata com um poderoso Plafonamento que Fulano defende com uma folha cheia de números. E assim se espera ter contribuído para que o povo vá em domingo de futebol depositar nas urnas o que restou do efeito de um qualquer comentário. Golo!!!

Sobre Luís Represas

Luís Represas conta em breve com quase 40 anos de carreira.

Apaixonado pela música tinha 13 anos quando comprou a primeira guitarra.

Em 1976 funda a banda Trovante, juntamente com João Gil, João Nuno Represas, Manuel Faria e Artur Costa, grupo referência da música popular portuguesa do pós 25 de Abril.

Foi com os Trovante que surgiu a célebre canção Timor que foi escrita para ajudar a juntar vontades solidárias para com o povo timorense.

Em 1992, os Trovante separam-se e Luís Represas parte para Cuba e inicia a sua carreira a solo.

Luis Represas refugia-se em Havana com vista ao conhecimento de novas tendências e para enriquecer a sua experiência com a melhor música cubana. Em 1993 surge " Represas" o primeiro trabalho a solo. Com o cubano Pablo Milanés cria "Feiticeira" uma das músicas que mais êxito alcançou junto dos portugueses.

Seguiram-se os álbuns "Cumplicidades", "Ao Vivo no CCB" e "A Hora do Lobo".

Em 1999, a convite do Presidente da República Dr. Jorge Sampaio, os Trovante reencontram-se para um espetáculo no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Nesse mesmo ano Luís Represas dá voz aos temas originais de Phil Collins, para a banda sonora do filme de animação Tarzan, da Disney

Em 2000 é editado o álbum Código Verde e um ano depois o cantor grava Reserva Especial com a Orquestra Sinfónica da República Checa.

Seguiram-se os álbuns "Quero uma casa deste tamanho" cujas receitas reverteram a favor da instituição de solidariedade Ajuda de Berço, "Fora de Mão", Olhos nos Olhos entre outros.

Pelo caminho é condecorado com a Comenda da Ordem do Mérito.

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