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Luís Ferreira Lopes

Retoma, mas com cautelas

Editor de Programas Especiais

​A OCDE revela sinais animadores para o crescimento económico em Portugal e, principalmente, em França, Itália e na zona euro, mercado relevante para as exportações portuguesas.

O INE e Banco de Portugal (BdP) também têm mostrado indicadores de retoma, mas o FMI alerta que é preciso continuar a apertar o cinto, em especial no Estado.

Em junho, a actividade económica continuou a crescer, mas ligeiramente menos do que em maio. Há indicadores da chamada "Economia comportamental" que antecipam inflexões no ciclo económico de cada país e aos quais vale a pena estar atento - e o índice compósito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) é um deles. De acordo com a Lusa, o índice para Portugal subiu para 101,21, acima da média de longo prazo de 100 pontos.

A OCDE prevê estabilização do crescimento na Alemanha, Japão, Índia e Rússia, mas prevê um "crescimento firme" na zona euro, França e Itália. Para os Estados Unidos e Reino Unido, a previsão é de "crescimento moderado a longo prazo" e de quebra no Brasil e na China. Este barómetro é importante, além dos dados concretos nacionais da balança comercial (exportações e importações) ou do investimento das empresas, porque ajuda a medir o pulso às principais economias com quem os empresários portugueses têm relações comerciais e porque antecipa as tendências quanto às hipóteses de se exportar mais ou então de prever investimento e consumo dos agentes económicos (empresas e famílias).

Os indicadores de confiança e de consumo do BdP e do INE têm mostrado os sinais de retoma e os economistas antecipam um crescimento da economia portuguesa de cerca de 1,6%, no segundo trimestre, em termos homólogos, e de 0,6% em cadeia, ou seja, do primeiro para o segundo trimestre deste ano. Se o turismo, as exportações e a procura interna continuarem a este ritmo, o PIB português poderá crescer este ano perto de 2%, o que será comparável neste século XXI apenas ao ano de 2007, mas este crescimento tem como base outros pressupostos e surge depois de duros anos de recessão e austeridade da Troika.

A propósito de austeridade, convém lembrar que, apesar destes dados positivos, o FMI veio recentemente avisar que o Estado tem de avançar com reformas profundas do lado da despesa pública e na Administração central. Disse ainda o que já sabíamos: é preciso reduzir défice e dívida (pública e externa) e é prudente olhar com atenção para o novo aumento das importações e também para o fenómeno da subida do crédito ao consumo, concedido pelos bancos e outras instituições financeiras, para se evitar a repetição de erros do passado.

Em conclusão: há notícias animadoras, mas, devido a problemas que são estruturais (e estão longe de estar resolvidos), é melhor não "deitar foguetes", em especial nestas festas de verão e em período eleitoral, para prevenir incêndios...

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