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Luís Ferreira Lopes

PIB: boas notícias não são "foguetório"

Editor de Programas Especiais

A economia portuguesa cresceu 0,4% entre o 1º e o 2º trimestre deste ano, acima da média da zona euro, e 1,5% em termos homólogos, ou seja, na comparação com o 2º trimestre de 2014. Mas a zona euro cresceu abaixo do previsto.

A confirmarem-se estas estas previsões, estes números são iguais aos registados nos primeiros três meses do ano, quer na variação em cadeia (trimestre) quer na variação homóloga. Isto é, sendo positivos, não se pode concluir que estejamos perante uma retoma fulgurante e com bases sustentáveis porque é preciso que o PIB cresça cerca de 2% ano durante um período longo para se conseguir criar mais riqueza e emprego e fazer baixar a taxa de desemprego, que permanece elevada, apesar das melhorias verificadas no último ano.

Como crescer mais?

A estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE) explica este crescimento pelo "contributo positivo da procura interna (...), com a aceleração do investimento e, em menor grau, do consumo privado". As exportações dão também uma ajuda, mas o INE alerta para o aumento das importações de bens e serviços "a um ritmo superior ao das exportações". Portugal cresceu, a nível da variação trimestral, tanto quanto a Alemanha, mas metade do que a Grécia. Logo, crescer 0,4% não permite "deitar foguetes".

Além disso, é preciso lembrar que a ajuda crucial para esta "almofada social", dos últimos tempos, ao nível do consumo das famílias ou do investimento das empresas, está, sem dúvida, na maior confiança e esperança dos agentes económicos em dias melhores (mérito do regresso pacífico de Portugal aos mercados e a da resiliência dos portugueses perante as brutais medidas de austeridade), mas as taxas de juro do BCE (crédito à habitação) e a taxa de inflação (preços ao consumidor) estão a níveis historicamente baixas. A estas duas variáveis, há que somar a queda do preço do petróleo, apesar dessa descida não se repercutir, de forma mais significativa, no preço final do gasóleo e da gasolina em Portugal, devido à elevada carga fiscal e aos custos de refinação, transporte, seguros e a margem de lucro das empresas distribuidoras.

Crescer de forma sustentada passa por: acentuar a descida prevista da carga fiscal sobre as famílias e empresas; criar melhores condições para o investimento das empresas portuguesas e estrangeiras; avançar com reformas estruturais na administração central e local e, em geral, do lado da (má) despesa do Estado; evitar a repetição do sobrendividamento das famílias, controlando o regresso das más práticas do sector financeiro de incentivo à contração de dívida a juros pornográficos, o que implica uma actuação de maior vigilância dos supervisores; estimular a reabilitação urbana e redes de tranporte ferroviário e portuário de mercadorias, criando mais emprego na construção e, assim, dinamizando vários sectores da economia, mas evitando a repetição de erros do passado, em especial através do modelo das PPP's.

Muito se pode fazer, se tivermos o foco no crescimento sustentado. O importante é reflectirmos mais sobre o futuro e as propostas concretas de quem se propõe ser governo, em vez de perdermos tempo com tricas de cartazes e fait divers afins. É preciso ter cuidado com o aumento das importações de produtos superfluos ou do crédito malparado, mas acredito que os portugueses não são tontos e, tendo sofrido na pele as medidas de austeridade e as políticas erradas de sucessivos governos, percebem que não vão voltar ao modelo do envidamento / alavancagem excessivos.

Zona euro fraca

Sendo Portugal uma economia historicamente aberta ao exterior, é influenciada pela evolução dos seus principais parceiros comerciais. Apesar da diversificação para África, EUA, América Latina ou Ásia, nos últimos anos, os 19 países da zona euro cresceram, em média, apenas 0,3% em termos trimestrais e 1,2% em termos homólogos, ligeiramente abaixo das expectativas dos economistas e analistas dos mercados. Este crescimento anémico é preocupante, se tivermos em conta o enorme estímulo monetário do BCE.

O motor alemão cresce de forma lenta, França continua estagnada, Espanha recupera, mas não o suficiente, e o mercado europeu está a ressentir-se na quebra de exportações para a China devido à crise nos mercados asiáticos, fator que pode acentuar-se no segundo semestre deste ano. Mesmo que a crise grega esteja, superficial ou aparentemente, ultrapassada, a retoma europeia tem ainda muitas incógnitas e Portugal não é imune ao que se passa na zona euro, para o mal e para o bem.

Mesmo que as empresas portuguesas estejam a conseguir lidar com os inesperados e dutos efeitos da queda do petróleo em Angola ou com as fragilidades do sistema financeiro lusitano, após a implosão do BES / GES (e os estilhaços provocados em toda a economia, com o epílogo da venda em curso do Novo Banco), os sinais de retoma devem ser lidos com prudência e com menos "foguetório". Todos esperamos e lutamos por um futuro melhor e creio que todos ficamos satisfeitos com boas notícias de crescimento e não de recessão, mas, infelizmente, não é ainda a altura para deitar foguetes nestas festas de verão.

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