sicnot

Perfil

Luísa Castel-Branco

Visto de cima: E então depois falem de liberdade e democracia

Se a crise que estamos a viver há quatro anos nos ensinou alguma coisa, foi seguramente a não tomar nada como adquirido.

O mundo fora das nossas portas tornou-se também um lugar ainda mais perigoso, onde tudo é volátil e a maior parte das situações não são passiveis de compreensão.

Em muitos aspectos andámos para trás em termos civilizacionais , como se estivéssemos constantemente à beira do abismo, do retorno a uma idade média de má memória.

Por cá a memória também se desvaneceu para muita gente.

Deixando o ridículo de discutir quem trouxe a Troika para Portugal, o facto é que a passagem dos credores pelo país obrigou-nos a todos a um apertar de cinto mas também a um repensar a vida.

Todos os dias ouvimos bramir contra a falta de liberdade.

Quem o faz só pode pertencer a dois grupos. Quem nunca viveu antes do 25 de abril, ou quem tem uma agenda própria em que o significado de liberdade não é o que consta do dicionário.

O facto de estar aqui a escrever é um exemplo perfeito da liberdade em que vivemos.

Mas o abuso da palavra liberdade equipara-se ao abuso da palavra democracia.

Ambas são usadas muitas vezes de forma incorrecta e atiradas como arremesso politico e nada mais.

Vivemos hoje numa sociedade que transpira o ”politicamente correcto” por todos os poros.

Só a esquerda é detentora da razão. Só a esquerda defende os mais fracos. Só a esquerda tem valores. Enfim a lista é infindável.

Podemos perguntar qual esquerda. A confusão é muita: o PCP e os partidos de extrema-esquerda consideram o PS liberal. O PS considera o PSD de direita e assim por diante.

Ficamos com um enorme buraco no centro, o centro onde efectivamente se ganham eleições.

Apoiar a Coligação, acreditar que o governo fez o melhor que pode por um Portugal à beira da bancarrota é pois politicamente incorrecto.

E mais grave ainda é acreditar que não nos podemos aventurar pelos caminhos da Grécia, sim porque é importante falar da Grécia, e que entre o sonho, a ficção e a realidade existe esta coisa terrível que é governar um país que continua a ter que pagar empréstimos e obrigações.

Se acordarmos no dia 5 com um cenário de ingovernabilidade, bem podemos dar por perdidos todos os sacrifícios destes anos.

E então depois falem de liberdade e democracia.

Sobre Luísa Castel-Branco

Luísa Castel-Branco esteve sempre ligada à comunicação.

Começou por colaborar no Jornal Semanário e mais tarde fez parte do grupo fundador da revista Máxima. Em 1999, aceita o convite para fazer parte do projecto Canal Notícias de Lisboa (CNL) e apresentou o Talk Show Luísa.

Na televisão conduziu ainda o concurso Dinheiro à Vista na TVI e, mais tarde, na RTP1 o programa diário Emoções Fortes e o concurso O Elo Mais Fraco. Depois de uma pausa, voltou aos programas em directo, com Noites Interactivas, no canal 21 da TVCabo.

Na SIC Mulher, apresentou «Vícios e Virtudes» e participou ainda em «Eles por Elas».

Hoje colabora no programa Passadeira Vermelha da SIC CARAS.

Outra das suas maiores paixões é escrever

Depois de em 2001 ter publicado Luísa - o seu primeiro livro - estreou-se no romance com "Alma e os Mistérios da Vida", uma obra que convenceu a crítica e conquistou o público.Escreveu ainda Para ti, Não desistas de mim, Diz-me só a verdade e Estranho Lugar para amar.

  • Visto de cima: Quem quer ser Português?

    Fernando Ribeiro

    A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é de Fernando Ribeiro, o vocalista dos Moonspell.

  • Visto de cima: Outros, x por cento

    José Luís Peixoto

    A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é do escritor José Luís Peixoto.

  • Visto de cima: "Totós" ou Campeões?

    Nuno Delgado

    A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é do judoca Nuno Delgado.

  • Visto de cima: Portugal ganhou o Euromilhões

    Nilton

    Se é do género de pessoas que se atira a um texto pelo título, fique a saber que já gastámos o dinheiro do prémio. Lamento. Com a entrada na União Europeia recebemos milhões a um nível de fartura que nunca tínhamos visto e mesmo assim conseguimos esfalfa-los de pronto e quase tão rápido quanto as vinte e quatro horas que um dia tem. Pior, ainda conseguimos gastar mais uns quantos e deixar para os pagar quem viesse a seguir.

  • Um retrato devastador do "pior dia do ano"
    2:47
  • Um olhar sobre a tragédia através das redes sociais
    3:22
  • "Estão a gozar com os portugueses, esta abordagem tem de mudar"
    6:45

    Opinião

    José Gomes Ferreira acusa as autoridades e o poder político de continuarem a abordar o problema da origem dos fogos de uma forma que considera errada. Em entrevista, no Primeiro Jornal, o diretor adjunto da SIC, considera que a causa dos fogos "é alguém querer que a floresta arda". José Gomes Ferreira sublinha que não se aprendeu com os erros e que "estão a gozar com os portugueses".

    José Gomes Ferreira

  • "Os portugueses dispensam um chefe de Governo que lhes diz que isto vai acontecer outra vez"
    6:32

    Opinião

    Perante o cenário provocado pelos incêndios, os portugueses querem um chefe de Governo que lhes diga como é que uma tragédia não volta a repetir-se e não, como disse António Costa, que não tem uma fórmula mágica para resolver o problemas dos fogos florestais. A afirmação é de Bernardo Ferrão, da SIC, que questiona ainda a autoridade da ministra da Administração Interna para ir a um centro de operações, uma vez que é contestada por toda a gente.

  • Portugal precisa de "resultados em contra-relógio, após décadas de desordenamento florestal"
    1:18
  • Jornalista que denunciou corrupção do Governo de Malta morre em explosão

    Mundo

    A jornalista Daphne Caruana Galizia, que acusou o Governo de Malta de corrupção, morreu esta segunda-feira, numa explosão de carro. O ataque acontece duas semanas depois de a jornalista maltesa recorrer à polícia, para dizer que estava a receber ameaças de morte. A morte acontece quatro meses após a vitória do Partido Trabalhista de Joseph Muscat, nas eleições antecipadas pelo primeiro-ministro, após as alegações da jornalista, que o ligavam a si e à sua mulher ao escândalo dos Panama Papers. O casal negou as acusações de que teriam usado uma offshore para esconder pagamentos do Governo do Azerbaijão.