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Perfil

Mário Laginha

Visto de cima: São pessoas

A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é do pianista Mário Laginha.

São pessoas. Têm virtudes e defeitos. E fraquezas. E qualidades. Também têm qualidades. Lutam, ou por causas, ou por atracção pelo poder, ou por ambas. Não consigo (nem lendo regularmente os artigos de Vasco Pulido Valente) achar que os políticos são, sem excepção, uma classe miserável. Como em tudo, há políticos bons, honestos, medianos, fracos, desonestos e execráveis. É o raio da condição humana, sempre pronta a surpreender-nos.

Como grande parte dos portugueses, não espero grandes revelações durante a campanha. Observo e julgo - mais uma vez, aquilo que todos os eleitores fazem. Não tenho as promessas eleitorais em grande conta. A culpa de não existir um pragmatismo honesto (chamemos-lhe assim) em quase todos os partidos em auge de campanha não cabe só aos políticos. Cabe também a nós, que depois de anos de cortes e privações queremos ouvir e acreditar que há quem possa mudar radicalmente - para melhor - as nossas vidas. É pouco provável. Mas podem fazer alguma coisa, sim. São diferentes, uns mais que os outros.

É então nessa vertigem de promessas que cada um tem que fazer as suas opções. Eu faço as minhas. Curiosamente, devo dizer que quanto a promessas irreais, aceito e perdoo umas e não aceito nem perdoo outras. Não gosto das que estarão próximas do desejo dos candidatos mas que se percebe, à distância, que vão ser impossíveis de materializar; não perdoo as que são feitas simplesmente pelo facto de saber que uma maioria da população as quer ouvir. Estas são as que não suporto. O populismo está quase sempre à espreita e até políticos decentes são tentados. Apela àquilo que temos de pior, o egoísmo, e ao medo. Existe precisamente por lhe sermos tão permeáveis.

Vou dar um exemplo, forçosamente na minha área. Temos um Conservatório Nacional de Lisboa, com um papel incontornável na história do ensino da música, da dança, do teatro e do cinema em Portugal. São muitas as gerações que beneficiaram da sua existência. Acho que estaremos todos de acordo com esta afirmação. Não há nenhum país medianamente evoluído que não reconheça o papel fundamental do ensino artístico. Isto é um facto. Pois o nosso Conservatório cai aos bocados, literalmente, e a situação arrasta-se há muito tempo sem se ver a resolução a espreitar num horizonte próximo.

Se, neste contexto de crise, alguém disser, como já aconteceu, que enquanto houver fome em Portugal, não se pode gastar dinheiro em gente que quer dançar, ou tocar uns instrumentos, ou fazer teatro, haverá quem imediatamente concorde. Isto é populismo, miserável e inaceitável. Sabemos bem que o dinheiro que não vai para as artes não vai acabar, nem mudar sequer, com a situação da pobreza em Portugal. Por isso me ofende tanto.

Alguns políticos são populistas, outros nem tanto. Na realidade, estão longe de serem todos iguais. Logo, eu voto. No meu caso, que só chego a Lisboa às 23h50m do dia 4, já votei.

Sobre Mário Laginha

Pianista e compositor português, Mário Laginha nasceu no dia 25 de abril de 1960, em Lisboa.

Recebeu o primeiro piano vertical aos 5 anos, fez a formação musical no Conservatório Nacional e terminou o Curso Superior de Piano com a classificação máxima.

Tanto no jazz, como na música erudita, é um dos pianistas portugueses mais versáteis, o que lhe proporcionou vários prémios e participações em certames nacionais e estrangeiros. Com o Sexteto de Jazz de Lisboa tocou em numerosos festivais, como os Edinburgh International Jazz Festival, Brecon Jazz Festival, The Maltings Proms, Terceiro Festival de Jazz de Macau (1985), Bienal das Artes de Barcelona e 15.º Festival de Jazz de Cascais.

Em 1987, ano em que foi considerado pela crítica especializada o melhor músico de jazz português, formou o Decateto Mário Laginha, com o qual participou no Festival Jazz em agosto, na Fundação Gulbenkian, e onde a totalidade dos temas interpretados foram da sua autoria.

Mário Laginha tocou ao lado de prestigiados artistas, destacando-se Trilok Gurtu, Christof Lauer, Howard Johnson entre outros.Com o pianista Pedro Burmester editou Duetos, registo ao vivo de um espetáculo no Centro Cultural de Belém, em dezembro de 1993.

A colaboração com a cantora de jazz Maria João com quem mantém uma parceria até hoje, deu origem a um dueto de renome internacional. Com ela tocou por toda a Europa em festivais tão prestigiados como Montreux Jazz Festival e Festival do Mar do Norte (Holanda), entre muitos outros.

Em termos de gravações, participou com o grupo Cal Viva no álbum Sol (1991), e, em 1993, gravou o registo "Danças" em duo com a Maria João. Em 1996, gravou Fábula, disco que contou ainda com a participação de Ralph Towner, Manu Katché, Dino Saluzzi, Kai Eckhardt de Camargo e Ricardo Rocha.

Em 1994, editou o seu primeiro álbum, Hoje e em Agosto de 1999, num concerto integrado no Festival "Jazz em Agosto", Mário Laginha apresentou-se em duo com o pianista Bernardo Sassetti. A fusão dos dois estilos conquistou de imediato o público e, essa primeira experiência resultou em muitas mais.

Seguiram-se vários concertos um pouco por todo o país, culminando com a gravação de um disco de originais (Mário Laginha e Bernardo Sassetti), editado em 2003, e de Grândolas (2004), disco integrado na comemoração dos 30 anos do 25 de Abril. O seu primeiro trabalho a solo, CANÇÕES E FUGAS, em 2005

À parte dos seus projectos mais regulares, Mário Laginha é frequentemente convidado a participar, quer como pianista, quer como compositor, em importantes eventos culturais.

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    A SIC pediu a várias personalidades que dessem a sua opinião sobre o atual momento que se vive no país. Todos os dias, no decorrer da campanha, é publicado aqui um artigo de cada uma dessas pessoas, ligadas às mais diversas áreas, que normalmente não são chamadas a falar sobre politica nacional. A opinião de hoje é do velejador Francisco Lufinha.

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