sicnot

Perfil

Pedro Cruz

Marcelo, o popular

A Marcelo não chega ser popular. Ele quer ser amado. Não creio que seja por uma razão apenas de auto-estima. (Afinal, toda a gente gosta que gostem de si). A popularidade que Marcelo quer tem, seguramente, um objetivo político.

Vai a todo o lado, encontra-se com todos, está com o povo, com os tais portugueses que ele diz que são iguais a ele e em nome de quem se candidatou a Belém.

Mas para além da popularidade, Marcelo quer e precisa de ser amado.

Precisa que gostem dele.

Precisa que confiem nele.

Precisa de sentir que os portugueses, todos ou uma larguíssima maioria, estão com ele.

Que lhe dão carta branca.

Que simpatizam com a sua forma de ser e de estar.

Que se deixem convencer que ele está certo, que sabe o que faz.

Porque, mais tarde ou mais cedo, o one-man-show Marcelo vai ter de se confrontar com o inevitável fim do estado de graça.

E, mais tarde ou mais cedo, ele sabe - e ele sabe muito e sabe muito, muito antes dos outros todos - que vai ter de tomar decisões difíceis.

Que pode ter de dissolver o parlamento.

Que terá de ser o garante do «regular funcionamento das instituições».

Que, se tiver de parar a «geringonça», vai ser confrontado, pela primeira vez no mandato.

Por isso, por causa disto, é que ele precisa não apenas de ser popular, mas de ser amado.

Para, quando e se, no dia em que tiver de despoletar a partir do palácio cor-de-rosa, a chamada «bomba atómica» presidencial, possa olhar para o país e saber que tem o povo a seu lado.

Não terá os cidadãos eleitores que fazem parte dos diretórios de alguns partidos, não terá a maioria dos deputados eleitos e grande parte da opinião puplicada. Nem os cidadãos nomeados.

Mas o que ele quer é ter ao lado, nesse dia, o resto do país, do país todo, dos tais portugueses que - descobriu-se agora, elegem deputados e não um primeiro-ministro - votam e decidem.

Nesse dia, Marcelo quer que os que aparecem nas selfies olhem para ele, respirem fundo e confiem.

E pensem:

- «Ele lá sabe».


É disto que ele precisa.

E é isto que vai ter.

  • A menina síria que relata a guerra no Twitter está bem, diz o pai

    Mundo

    Bana Alabed, a menina síria de 7 anos que conta no Twitter a luta pela sobrevivência e os horrores da guerra em Alepo, teve de abandonar a sua casa que foi bombardeada mas está bem, disse hoje o seu pai à Agência France Press. A conta esteve fechada domingo, mas foi entretanto reativada e tem hoje uma nova publicação de Bana.

  • Parkinson pode ter início nos intestinos

    Mundo

    Um novo estudo científico vem revelar que a doença de Parkinson pode não estar apenas no cérebro. A doença pode ter início nos intestinos e mais tarde migrar para o cérebro.