29.09.2011 14:38

Ordem dos Médicos paga prémios de mérito a alunos do secundário em vez do Ministério

 
 

A Ordem dos Médicos vai assumir o pagamento de 10 prémios de mérito a alunos do ensino secundário, depois da decisão "polémica e incompreensível" do Ministério da Educação de suspender esta forma de estimular a dedicação ao estudo.

"Na sequência da polémica e incompreensível decisão do Ministério da  Educação de suspender intempestivamente a entrega dos prémios de mérito  aos melhores dois alunos das 464 escolas secundárias, o Conselho Nacional  Executivo da Ordem dos Médicos decidiu responder positivamente ao apelo  pungente dos diretores das escolas", explica um comunicado da entidade hoje  divulgado. 

Assim, a Ordem dos Médicos constitui-se como "um dos mecenas da sociedade  civil para substituir esta aberrante e contraproducente decisão do Ministério  da Educação e Ciência", salienta. 

A Ordem dos Médicos "faz questão" de pagar os prémios a Miguel Saraiva,  da Escola Alves Martins, de Viseu, e a Kristina Hundarova, da Escola Secundária  de Silves, futura médica. 

"Lamento a atitude do Governo e faço votos para que, no final do ano,  os prémios dos gestores públicos de milhões de euros também sejam suspensos  e possamos todos ajudar Portugal", terá dito Miguel Saraiva à comunicação  social, segundo a Ordem, que afirma subscrever esta opinião. 

Para a Ordem, a "atitude do Governo é tanto mais incompreensível, quando,  num país falido e que a breve prazo terá mais de 6.000 médicos sem trabalho,  se insiste em desperdiçar milhões de euros num curso de Medicina, em Aveiro,  completamente desnecessário". 

A Ordem dos Médicos apela à sociedade civil para que se mobilize e colabore  no reconhecimento do mérito dos jovens estudantes. 

O jornal Público noticiou na quarta-feira a suspensão do prémio de mérito  de 500 euros que tem como objetivo distinguir os melhores alunos do ensino  secundário de cada escola, uma decisão que a Confederação Nacional das Associações  de Pais considerou "mais um murro no estômago" e um "sinal da falta de estratégia  para a Educação", mas que teve a concordância da Confederação Nacional Independente  de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE). 

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, esclareceu depois que  a opção de suspender a atribuição do prémio já tinha sido tomada "há bastante  tempo". 

"Já decidimos isso há bastante tempo, houve qualquer problema de comunicação",  afirmou o ministro, questionado sobre o facto da deliberação defraudar as  expectativas dos estudantes distinguidos, que iriam receber o prémio na  sexta-feira, só ter sido conhecida na quarta-feira. 

"Achamos melhor que os 500 euros que estavam atribuídos a cada aluno"  sejam "atribuídos a projetos de escola, a projetos de apoio aos alunos e  não devemos estar simplesmente a distribuir dinheiro", esclareceu Nuno Crato.

Lusa

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