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Lixo e sacos azuis, arte urbana para fazer crítica social

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Podia ser mais uma brincadeira de Carnaval, mas a data foi pura coincidência. Duzentos e trinta sacos azuis com folhas de jornais foram deixados na escadaria da Assembleia da República. Endereçados a cada deputado do parlamento. O protesto, a que as notícias do dia atribuíram a um grupo de desconhecidos, foi organizado por ADRES, um português que utiliza a arte urbana para fazer crítica social.

O encontro está marcado para as três da tarde na rua Marcos Marreiros, bem próxima da Assembleia da República. Na estrada estreita está já a postos uma carrinha branca carregada com os 230 sacos azuis. Cada um com uma etiqueta com o nome de cada deputado do parlamento, onde pode ler-se “obrigado por tudo”. O objetivo é transportá-los para a escadaria da Assembleia.

Um protesto contra a corrupção, integrado na obra de Adres, conhecido no mundo da street art por intervenções em stencil para fazer crítica social. Utilizando a ironia e sarcasmo, foi a forma escolhida para demonstrar aos deputados “que podem fazer muito mais do que fazem e que não estão a fazer nada”.

Habituado a trabalhar sozinho, desta vez a intervenção de Adres dependia de ajuda para transportar os 230 sacos azuis. O protesto começou por ser “convocado por Facebook e depois, por precaução, por telefone e em casa de amigos que se identificaram com a ação”.

Pouco depois das três da tarde, os elementos começam a surgir no local combinado. O grupo é composto por 15 pessoas, homens e mulheres, na sua maioria na casa dos 30 anos. Alguns costumam trabalhar com ele, outros são vizinhos ou amigos de infância. “Não estava à espera que aparecesse tanta gente”, confessa.

Entre cigarros e cervejas, enquanto esperam pelos restantes, são discutidos os planos do percurso. Falam do protesto, dos políticos e da imprensa do dia cuja manchete não poderia ser mais apropriada: “Saco Azul paga ministros”.

“Ninguém sobe a escadaria”, diz um deles. A missão foi bem planeada. O percurso foi previamente definido no mapa que Adres mostra aos amigos: Da Marcos Marreiros seguem para a Rua de São Bento. “É agora”, diz. Os sacos são distribuídos pelo grupo que leva para a rua uma enorme mancha azul, despertando a curiosidade dos residentes do bairro lisboeta. “É muito saco azul”, exclama um homem enquanto fuma um cigarro à porta do café.

Já perto de São Bento, o grupo para e espera que o spotter dê o ok para avançar. De câmara de filmar em punho, parte na frente e dá luz verde ao grupo. Não há polícia à vista. Tranquilamente, dirigem-se à escadaria da Assembleia e depositam os 230 sacos. A ação é tão rápida que não dá hipótese à PSP ou GNR de terem qualquer tipo de reação. “Quem quiser ficar a ver é suicídio”, diz um dos elementos. Rapidamente, dispersam-se por diferentes ruas e fogem a pé sem deixar rasto. Ninguém é identificado.

Bastaram cinco minutos para aparecerem os agentes da PSP. Impedem-nos de chegar à escadaria para fotografar, enquanto tentam perceber do que se trata. Dentro de cada saco dirigido aos deputados estão folhas de jornais impressas com notícias “cuja maioria é provocada por estes deputados e por esta classe política”, diz Adres.

Cada etiqueta com a mensagem irónica de agradecimento foi feita à mão pelo artista, ajudado por uma amiga desempregada que escreveu os nomes dos deputados em cada uma delas.

Atento à realidade política, mas sem qualquer afiliação partidária, Adres chamou a atenção da comunicação social com obras feitas em stencil como o capuchinho vermelho agarrado a uma metralhadora, ou a inscrição em colchões com a frase «Confie o seu dinheiro a profissionais, Colchão Geral de Depósitos». Nenhuma intervenção tinha tido no entanto dimensão semelhante.

A ideia surgiu a meio do ano passado e partiu do célebre saco azul de Felgueiras. “Atualmente, esse saco acaba por ser muito mais do que isso e representa hoje toda a corrupção existente no país”. Numa altura de austeridade, em que a contestação social sobe de tom, este era, para Adres, o timing perfeito para realizar o protesto.

Os 230 sacos endereçados aos deputados permanecem na escadaria da Assembleia da República durante meia-hora, até serem deslocados por funcionários para um canto e protegidos por um gradeamento para que ninguém lhes tivesse acesso. Todos, exceto o dirigido ao social-democrata Pedro Lynce, que o agente da PSP confisca da mão do repórter da RTP que tentava recolher imagens.

Os sacos azuis despertam a atenção dos transeuntes e turistas que por ali passam numa tarde calma de domingo, dia escolhido pelo organizador do protesto por ter menor patrulhamento policial. Enquanto os sacos ali permanecem à espera de serem recolhidos, alguns dos próprios elementos do grupo responsável pela ação passam de carro pelo local.

Mais de uma hora depois, chegam os funcionários de limpeza da Câmara Municipal de Lisboa. “Por mim isso ficava até segunda-feira até eles virem trabalhar”, diz um deles. Mas a ordem de recolha chega e os sacos são retirados, sem que nenhum dos 230 deputados receba o irónico agradecimento que lhes estava destinado. “Sabia que não ia durar mais do que uma tarde, porque se trata de lixo”, diz Adres, satisfeito pelo sucesso da intervenção.

Texto de Rita Neves e fotografias de Rita Chantre

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