04.02.2012 10:48

"Custe o que custar são palavras fortíssimas", considera Mário Soares

 
 

O antigo presidente da República Mário Soares  classificou hoje como "fortíssimas" as palavras do primeiro-ministro, quando  disse que Portugal cumprirá as suas obrigações "custe o que custar", e defendeu  que a austeridade não leva a "nenhum lugar". 

"Custe o que custar são palavras fortíssimas", porque "acima de tudo  estão as pessoas e o bem-estar das pessoas e não penso que a austeridade,  só a austeridade, leve a nenhum lugar", disse Mário Soares. 

O fundador do PS falava aos jornalistas na vila alentejana de Ourique,  após uma sessão de apresentação do seu livro "Um Político Assume-se - Ensaio  Autobiográfico, Político e Ideológico". 

"Além da austeridade, que é necessária, precisamos de ter crescimento  económico, sem isso não se vai a lado nenhum, e de diminuir o desemprego",  defendeu, considerando estas necessidades como algo "fundamental". 

Segundo Mário Soares, "se ele  [Pedro Passos Coelho] acha que só é preciso  a 'troika', é a posição do primeiro-ministro, mas é uma posição que vai  sair mal, porque toda a Europa já está a pensar que não é só por aí que  vamos". 

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, manifestando-se consciente  da "situação de grande dificuldade" que Portugal atravessa, disse hoje,  no debate quinzenal no Parlamento com a presença do Governo, que o país  cumprirá as suas obrigações "custe o que custar". 

Durante a sessão de apresentação do livro, Mário Soares disse que "há  uma ideologia que está em força que é o neoliberalismo. E os neoliberais  pensam não nas pessoas, mas no dinheiro". 

Trata-se "de uma situação dificílima que se vai repercutir politicamente  e não pode durar muito tempo porque as pessoas começam, realmente, a ficar  desesperadas", frisou. 

A título de exemplo, o antigo Chefe de Estado aludiu ao Serviço Nacional  de Saúde (SNS): "Querem destruir a pouco e pouco o SNS", acusou. 

Por outro lado, disse, Portugal "nunca" teve "tantas pessoas válidas"  em domínios como a ciência, as artes e o desporto. 

Mas, frisou, "agora estão a dizer 'vão para fora, emigrem'", ou seja,  "estamos a gastar dinheiro para dar às pessoas um certo bem-estar e eles dizem 'emigrem'". 

E as pessoas "vão servir outros países, quando podiam e gostariam de  servir o nosso?", questionou, rematando: "Acho que isto é uma política de  doidos". 

Lusa

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