09.02.2012 15:44

Defesa de Carlos Cruz insiste na inocência do apresentador perante a Relação 

 
 

A defesa de Carlos Cruz voltou hoje a alegar,  no julgamento do recurso do processo Casa Pia pelo Tribunal da Relação de  Lisboa, que o apresentador de televisão "está inocente" e que não conhecia  as vítimas, nem os locais onde ocorreram os abusos sexuais. 

"Não foi exibida qualquer prova de que Carlos Cruz conhecia as vítimas",  enfatizou o advogado Ricardo Sá Fernandes, dizendo que o apresentador, que  esteve preso 15 meses, foi condenado no julgamento de primeira instância  devido a depoimentos "maléovolos e fantasiosos de meia dúzia de jovens",  cujos depoimentos foram "contraditórios". 

Ricardo Sá fernandes falou ainda do sucesso profissional de Carlos Cruz  antes do escândalo rebentar e das dificuldades financeiras que atravessa  atualmente, estando "psicologicamente destroçado". 

O julgamento do recurso do processo Casa Pia pelo Tribunal da Relação  de Lisboa começou cerca das 15:00, com o presidente do coletivo, Rui Rangel,  a falar sobre a metodologia da audiência  e a relatora do processo, desembargadora  Guilhermina de Freitas, a fazer uma breve sínteses do acórdão recorrido.

Para o defensor de Carlos Cruz, o tribunal de primeira instância, presidido  por Ana Peres, analisou os factos e os depoimentos em julgamento de "forma  acrítica" e "emocional", tendo-se o tribunal "colocado numa posição de um  polígrafo", tentando descobrir a verdade de forma pouco racional. 

"Há muito mais do que a dúvida razoável", disse Ricardo Sá Fernandes,  que criticou não só o coletivo de primeira instância, mas também o procurador  do Ministério Público João Aibéo, por isistirem numa acusação apesar de  "não ter sido encontrada uma única prova que corroborasse as imputações  das vítimas". 

O causídico expôs as diversas incongruências do julgamento de primeira  instância e o "discurso ilógico" das alegadas vítimas que incriminaram Carlos  Cruz, dando como exemplo situações ocorridas numa casa situada na Avenida  das Forças Armadas, em Lisboa. 

Perante estas e outras vicissitudes, Ricardo Sá Fernandes pediu também  ao tribunal da Relação que declare "nula" a parte condenatória relativa  aos abusos sexuais atribuídos a Carlos Cruz num casa em Elvas. 

O defensor do apresentar de televisão voltou a dizer que "a mentira  tem pernas curtas", ao expor supostas contradições nos depoimentos dos jovens  sobre a data e os locais exatos em que os crimes se verificaram. 

Criticou ainda a forma vaga como alguns dos crimes foram atribuídos  a Carlos Cruz, com uma "inconsistência" que não é compatível com a realidade,  observando que nas "imputações destes rapazes" que acusam o apresentador  "nunca há detalhes". 

Lusa

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