09.02.2012 18:44

Defesa de Carlos Cruz pede aos juízes que admitam que condenação foi erro judiciário 

 
 

A defesa de Carlos Cruz terminou as suas alegações  no julgamento do recurso do processo Casa Pia pedindo aos juízes da Relação  de Lisboa que "façam a diferença" e admitam que a condenação do apresentador  de televisão foi um "erro judiciário".  

No final das suas alegações, que duraram mais de hora e meia, Ricardo  Sá Fernandes disse estar consciente que uma decisão absolutória de Carlos  Cruz pela Relação de Lisboa poderia ser vista como um factor que "acarretaria  o descrédito da justiça" em Portugal, mas disse acreditar que este coletivo  do Tribunal da Relação de Lisboa "faça a diferença" neste julgamento em  sede de recurso. 

Ricardo Sá Fernades vincou que o "erro judiciário" não atinge em Portugal  unicamente os "humildes e os desafortunados", sendo o caso de Carlos Cruz  o exemplo de como também atinge alguém que tinha sucesso profissional e  podia ser considerado "poderoso". 

Nas alegações, o causídico insistiu na inocência de Carlos Cruz e atribuiu  a condenação do apresentador de televisão à "mentira e efabulação dos jovens"  que o acusaram, naquilo que, antes, apelidara de "fantasia adolescente". O advogado lembrou ainda que a "semente" do envolvimento de Carlos Cruz  no processo Casa Pia começou com factos de 1982, alegadamente ocorridos  numa casa em Cascais do diplomata Jorge Ritto, pessoa que o apresentador  "não conhecia" até rebentar o atual processo em finais de 2002. 

 Ricardo Sá Fernandes gastou grande parte das alegações a relatar aquilo  que considera terem sido as "contradições" nos depoimentos dos jovens que  colocam Carlos Cruz numa casa em Elvas onde alegadamente ocorreram orgias  sexuais com jovens casapianos e onde chegaram até a dizer ter visto o ex-ministro  socialista Paulo Pedroso. 

O facto de nomes como o de Herman José, Jaime Gama e Ferro Rodrigues  chegarem a ter sido apontados pelos jovens que acusam os arguidos foi apontado  pela defesa de Carlos Cruz como sintomático da falta de credibilidade deste  jovens. 

O causídico disse não duvidar que estes jovens foram efetivamente abusados  sexualmente como demonstram os relatórios médicos, mas não por Carlos Cruz,  sublinhando que o coletivo de primeira instância moveu-se pelo "desejo de  acreditar na fantasia" destes rapazes casapianos. Falou ainda da intervenção "desastrosa" que o pedopsiquiatra Pedro Stecht  e que a antiga secretária de Estado Teresa Costa Macedo tiveram no desenvolvimento  do processo. 

Após a intervenção da defesa de Carlos Cruz, coube a Miguel Matias,  advogado das vítimas da Casa Pia, pedir a confirmação do acórdão condenatório  de primeira instância e, além disso, da condenação de Gertrudes Nunes, proprietária  da casa de Elvas onde supostamente ocorreram abusos sexuais.  Gertrudes Nunes foi a única arguida a ser absolvida no julgamento de  primeira instância. 

Miguel Mataias terminou a sua alegação, pedindo "justiça" e ironizando  que Portugal é "um país de inocentes". Também o advogado Adelino Granja interveio para pedir, sobretudo, a  confimação da condenação do ex-motorista da Casa Pia, Carlos Silvino, o  principal arguido deste processo, que foi condenado em primeira instância  a uma pena de prisão de 18 anos. 

     

Lusa

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