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Passos garante que está preparado para todo o tipo de ataques

Passos garante que está preparado para todo o tipo de ataques

O primeiro-ministro voltou hoje a falar da polémica sobre a falta de pagamento à Segurança Social. No encerramento das jornadas parlamentares do PSD, Passos Coelho diz que está a ser alvo de ataques pessoais, que superam as questões políticas em ano eleitoral.Admite que falhou prazos de pagamento no passado, mas diz nunca se deixou influenciar por qualquer tipo de poder enquanto chefe do Governo.

"Eu quero dizer com muito à vontade a todas as senhoras deputadas e aos senhores deputados que eu estou pessoalmente e a minha família está pessoalmente preparada para, neste ano de eleições, enfrentar todo esse tipo de debate político", declarou Pedro Passos Coelho, no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, na Alfândega do Porto.

O presidente dos sociais-democratas e chefe do executivo PSD/CDS-PP referiu que foi questionado pela comunicação social sobre a eventual entrega de declarações fora de prazo e, dirigindo-se a quem quer "remexer" na sua vida, disse que já se atrasou com certeza muitas vezes, mas que quando o Estado lhe exigiu sempre pagou o que devia, que não tem nenhuma dívida ao fisco e que nunca usou o cargo de primeiro-ministro em seu benefício.

Depois de se declarar "preparado" para tudo, Passos Coelho acrescentou: "Faço questão de o dizer aqui hoje, porque tive ainda ontem [segunda-feira] conhecimento de que há pelo menos jornalistas e [um] jornal que querem expor aspetos da minha vida fiscal, comuns de resto a muitos milhares de portugueses, apenas com o propósito de querer sugerir que somos todos iguais".

A este propósito, observou: "Talvez agora se perceba um bocadinho melhor as notícias que têm vindo a público de processos que foram instaurados ao nível da administração tributária por gente que, fora daquilo que são as suas obrigações profissionais, pretendeu conhecer detalhes da minha carreira fiscal". 

O primeiro-ministro dedicou a este tema mais de dez minutos, sendo por diversas vezes interrompido por aplausos dos deputados do PSD.

Sem voltar a falar nas dívidas acumuladas à Segurança Social entre 1999 e 2004 noticiadas pelo jornal Público, Passos Coelho fez alusão ao assunto sustentando que, "à medida que os resultados aparecem, parece que um certo desespero se começa a instalar em certas áreas políticas". 

"Parece que afinal as tão importantes sondagens não estão a revelar exatamente aquilo que se esperava e que afinal estas eleições [legislativas], podem não ser um passeio", considerando  que isso está a fazer deslocar a discussão "do foco político para o foco pessoal".

Mais à frente, relatou ter recebido na segunda-feira as seguintes questões: "Tenho há vários anos elementos de que o senhor doutor Pedro Passos Coelho terá entregue declarações fora de prazo, entre outras matérias, e que por isso pode ter sido alvo destes processos, com o número e tudo, em tal data e com tal valor. Confirma que entregou fora de prazo declarações, e que pagou estas coimas ou estas multas?" 

O presidente do PSD afirmou que não é "um cidadão perfeito", que tem as suas "imperfeições", adiantando: "Quem quiser remexer na minha vida para encontrar episódios desses não precisa de se dar a tanto trabalho, nem quebrar deveres de sigilo, pode ter a certeza de que eu muitas vezes na minha vida ou me atrasei ou entreguei na altura que o Estado me exigiu aquilo que me era exigível".

"Mas posso dizer-lhes uma coisa: nunca deixei de solver as minhas responsabilidades, não tenho nenhuma dívida ao fisco", acrescentou.

Passos Coelho afirmou ainda que ninguém poderá dizer que usou o lugar de primeiro-ministro para "ocultar, disfarçar ou esconder, evitar qualquer tratamento exatamente igual ao que qualquer outro cidadão teria", nem para "para enriquecer, para prestar favores ou para viver fora das suas possibilidades", nem que "tivesse nomeado alguém por favor ou que tivesse andado a traficar influências ou a pressionar senhores jornalistas para que certas notícias apareçam ou não apareçam".


Com Lusa
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    País

    A dívida de Pedro Passos Coelho à segurança social seria superior a oito mil euros, já com juros de mora, e não os quatro mil, inicialmente referidos. As contas foram feitas pelo jornal Público. O diário assegura que as contas iniciais se basearam apenas no período entre 2002 e 2004. O primeiro-ministro quer agora dar o assunto por encerrado, apesar do pedido de explicações apresentado pelo PS.

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