sicnot

Perfil

País

Laboratório português para testar naves espaciais da ESA inaugurado hoje

O Instituto Superior Técnico (IST) inaugura hoje um laboratório para testar a reentrada de veículos espaciais na atmosfera terrestre, um projeto financiado pela agência espacial europeia ESA.

STEPHANE CORVAJA/ESA

Trata-se da "maior instalação de pesquisa espacial em Portugal" e do "maior investimento da ESA" num equipamento em Portugal, segundo o coordenador do projeto, Mário Lino da Silva.

Laboratório de Plasmas Hipersónicos estará operacional no verão, depois de feitos os primeiros testes, incluindo de segurança, e representa um investimento de dois milhões de euros, a maior parte suportado pela  agência espacial europeia.

De acordo com Mário Lino da Silva, investigador do  Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do IST, o laboratório é a "maneira mais fiel", e barata, "de reproduzir as condições de reentrada na atmosfera terrestre", para efeitos de construção de naves espaciais para futuras missões a outros planetas.

Fisicamente, o laboratório funcionará num edifício semienterrado, construído de raiz no Campus Tecnológico e Nuclear do IST, em Sacavém, onde existe o reator nuclear português.

Numa parte do edifício, numa espécie de "bunker", a cerca de seis metros de profundidade, está um canhão de ar gigantesco, de 16 metros de comprimento, feito em aço de alta resistência (para resistir a explosões).

Na prática, é um tubo de choque, composto por uma câmara de alta pressão e outra de baixa pressão, separadas por uma membrana, que se rompe a uma temperatura e a uma pressão extremamente elevadas.

Um gás, obtido a partir de uma mistura de hidrogénio, oxigénio e hélio, aquece a 2.500ºC e a uma pressão de 600 atmosferas, na câmara de alta pressão, e depois expande-se ao longo do tubo, a baixa pressão, criando uma onda de choque, que irá dar origem a um plasma hipersónico, um gás ionizado que atinge uma velocidade superior a dez quilómetros por segundo (mais de 30 vezes a velocidade do som) e uma temperatura acima dos 10.000ºC.

O efeito gerado "simula" a reentrada na atmosfera terrestre.

"Este tubo de choque vai permitir não só apoiar missões de reentrada na Terra, mas também de entrada na atmosfera de outros planetas, como Vénus, Marte", assinalou à Lusa Mário Lino da Silva, acrescentando que o laboratório irá estudar também, no futuro, os riscos associados à queda de meteoritos na Terra.

Segundo o docente, o plasma hipersónico emite uma grande radiação e o seu estudo "permite dimensionar as proteções térmicas dos veículos espaciais de reentrada, de maneira a evitar que estes ardam durante a sua entrada numa atmosfera planetária".

O Laboratório de Plasmas Hipersónicos vai assistir, durante 20 anos, as campanhas experimentais da ESA, que tenciona colocar, em 2016, um robô em Marte.

Na conceção do tubo de choque participaram diversas empresas portuguesas. O Instituto Superior Técnico, além de coordenar cientificamente o projeto, contribuiu com 250 mil euros para a construção do edifício do laboratório.

Portugal é Estado-Membro da agência espacial europeia desde 2000.

A cerimónia de inauguração contará com a presença do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, e da secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira. 

Lusa
  • Relatório pedido pelo Governo PSD-CDS já apontava falhas no SIRESP
    2:26
  • Proteção Civil aponta falhas do SIRESP, operadora diz que esteve à altura do fogo
    4:22
  • Temer pode cair menos de um ano depois da queda de Dilma
    3:06
  • Imagens do resgate de crianças feridas num bombardeamento na Síria
    2:00

    Mundo

    Os Estados Unidos acusam o regime sírio de estar a preparar um novo ataque químico e avisam Bashar al-Assad que vai pagar caro se o concretizar. No terreno, os ataques aéreos continuam a fazer vítimas civis. Da periferia de Damasco chegam imagens dramáticas do resgate de duas crianças feridas num bombardeamento.

  • Mulher atira moedas para o motor do avião por superstição

    Mundo

    As superstições levam as pessoas a fazer coisas bizarras e até, mesmo, perigosas. Este foi o caso de uma mulher chinesa que decidiu atirar moedas para o motor de um avião, para garantir boa sorte na viagem, que estava prestes a fazer. Contudo, a ação obrigou ao atraso do voo que partia de Xangai, numa companhia aérea chinesa.

  • Modelo italiana atacada com ácido volta ao trabalho

    Mundo

    Gessica Notaro, antiga concorrente do concurso Miss Itália, já regressou ao trabalho como treinadora de leões marinhos, cinco meses depois de ter sido atacada com ácido, alegadamento pelo ex-namorado, Jorge Edson Tavares. Gessica Notaro diz que quer inspirar e encorajar outras mulheres a lutar contra o assédio e o bullying nas relações.