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Ministério quer dispensar do trabalho noturno polícias com mais de 58 anos

O Ministério da Administração Interna (MAI) quer dispensar do trabalho noturno os polícias com mais de 58 anos e criar dois novos postos na carreira de agentes e chefes da PSP.

A questão da pré-reforma merece críticas por parte dos sindicatos, que querem ver reduzido o tempo para efetuar o pedido e não percebem a dispensa do trabalho noturno a partir dos 58 anos. (Arquivo)

A questão da pré-reforma merece críticas por parte dos sindicatos, que querem ver reduzido o tempo para efetuar o pedido e não percebem a dispensa do trabalho noturno a partir dos 58 anos. (Arquivo)

© Rafael Marchante / Reuters

Estas são duas das medidas que constam da proposta de alteração ao estatuto profissional da Polícia de Segurança Pública que hoje a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, apresentou aos sindicatos da PSP.

Segundo os sindicatos da PSP, Anabela Rodrigues apresentou, de "forma superficial", o documento, que agora vai ser analisado pelas estruturas sindicais para ser negociado com a tutela.

Durante a reunião, a ministra deu conta às estruturas sindicais da intenção de criar os postos de agente-coordenador e chefe-coordenador, e de dispensar do trabalho noturno os polícias com mais de 58 anos, mantendo o pedido de passagem à pré-aposentação os 55 anos de idade ou 36 anos de serviço.

A questão da pré-reforma merece críticas por parte dos sindicatos, que querem ver reduzido o tempo para efetuar o pedido e não percebem a dispensa do trabalho noturno a partir dos 58 anos.

"A partir dos 50 anos, numa profissão de desgaste rápido, não faz qualquer sentido fazer trabalho por turnos", disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL), Armando Ferreira.

Já o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP), Henrique Figueiredo, afirmou à Lusa que a dispensa do trabalho noturno vai criar problemas na gestão de recursos humanos, nomeadamente nos comandos onde o efetivo é mais envelhecido.

"A proposta de estatuto é muito má a todos os níveis", adiantou o presidente do sindicato que representa a maioria dos oficiais que comanda a PSP, referindo-se à progressão na carreira, férias, folgas e à manutenção das 40 horas de trabalho semanal.

Para Henrique Figueiredo, os polícias não veem na proposta apresentada a exceção à Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, continuando a ser tratados como funcionários públicos.

Também o presidente do SINAPOL afirmou que o estatuto apresentado "não é melhor do que o anterior", considerando que "até há uma retirada de direitos".

Armando Ferreira acrescentou que os polícias vão ver reduzidos em cinco dias as férias e vão ter um novo regime de avaliação.

Por sua vez, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, disse à Lusa que a proposta "não vai ao encontro das expectativas" dos polícias, esperando que exista "uma grande abertura e margem negocial" do MAI para alterar alguns pontos.

Paulo Rodrigues afirmou ainda que os suplementos remuneratórios e o reconhecimento da profissão de polícia de risco e de desgaste rápido não estão incluídos no estatuto, tendo a ministra avançado que estas questões vão ser alvo de um diploma próprio.

A proposta de estatuto vai ser agora discutida individualmente com os 14 sindicatos da PSP, em reuniões a partir de 20 de março.

Lusa
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