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Ferro Rodrigues diz que Passos fez mal em não pedir desculpa aos portugueses

O líder parlamentar do PS considerou hoje que o primeiro-ministro fez bem em iniciar a sua intervenção com a questão da sua carreira contributiva perante a Segurança Social, mas fez mal ao "não pedir desculpa" aos portugueses.

LUSA

Ferro Rodrigues falava no debate quinzenal, na Assembleia da República, depois da intervenção de abertura a cargo do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

"O senhor primeiro-ministro fez bem em abordar logo o assunto do seu passado contributivo perante a Segurança Social, mas fez mal em não ter aproveitado a ocasião para pedir desculpa a Portugal, aos portugueses e aos seus eleitores", declarou o presidente da bancada socialista.

Perante Passos Coelho, Ferro Rodrigues defendeu que a questão da carreira contributiva de Pedro Passos Coelho perante a Segurança Social "é política e não pessoal".

Esta posição do líder da bancada socialista motivou protestos de deputados do PSD, com o presidente do Grupo Parlamentar do PS a reagir: "Há gente aí dos Super Dragões?", questionou, numa alusão à claque do Futebol Clube do Porto.

Ferro Rodrigues apresentou depois "cinco motivos" para sustentar que a controvérsia em torno do não pagamento por Pedro Passos Coelho, entre 1999 e 2004, das suas contribuições à Segurança Social se trata de uma questão política.

"Em 2012, quando já era primeiro-ministro, tomou conhecimento que tinha dívidas à Segurança Social - não sei se de todas as dívidas, porque há informações pedidas que ainda não foram dadas -, mas não procedeu imediatamente ao pagamento. Foi preciso 2015 e mais uma pressão de um jornalista para regularizar a situação. Por isso, esta questão é política, porque o atinge enquanto primeiro-ministro e não quando era somente trabalhador independente", disse o líder parlamentar do PS.

Ferro Rodrigues considerou também que Passos Coelho deu respostas contraditórias nas últimas semanas, o que "agravou o problema político".

"Mas o seu terceiro problema político são os seus amigos e apoiantes. Com amigos desses, diria que não é preciso ter adversários", apontou o líder parlamentar do PS, numa alusão à explicação - ou melhor, segundo Ferro, "ao barril negativo" - do ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, sobre a situação contributiva de Passos Coelho, procurando então culpar os serviços que tutela da Segurança Social.

Ainda de acordo com Ferro Rodrigues, o Presidente da República, "ao dizer que já cheirava a campanha eleitoral, também atuou mal e só desajudou o primeiro-ministro - logo ele, Cavaco Silva, que foi a pessoa após o 25 de Abril com mais campanhas eleitorais".

"Mas ainda há na situação do primeiro-ministro a questão levantada pelo seu anterior moralismo, pois já não estamos agora perante o Passos Coelho do rigor, do abandono da zona de conforto, do custe o que custar, ou da cobrança coerciva de impostos. O que diz o primeiro-ministro hoje ao Pedro Passos Coelho de há dois anos?", questionou o ex-secretário-geral do PS.


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