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Português detido em Díli é suspeito de branqueamento de capitais, diz procurador-geral

O procurador-geral timorense, José Ximenes, disse hoje à Lusa que Tiago Guerra, um cidadão português detido preventivamente desde outubro em Díli, é suspeito do crime de branqueamento de capitais.

(Lusa/ Arquivo)

(Lusa/ Arquivo)

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"É suspeito do crime de branqueamento de capitais. Estamos a investigar a origem dos crimes", disse José Ximenes, à margem da cerimónia de tomada de posse do diretor-geral e da diretora nacional de Finanças e Orçamento da Procuradoria-Geral.

José Ximenes explicou que, "no caso do arguido Guerra", estão em causa "factos que aconteceram em vários países".

Por isso, e escusando-se a revelar pormenores adicionais sobre o caso, explicou que já foram enviadas cartas rogatórias com pedidos de informação para Portugal e para Macau.

"Mandámos as cartas rogatórias para saber algumas informações adicionais", afirmou, sem precisar quando será formulada a acusação contra o cidadão português.

O procurador-geral falava à Lusa depois de a família de Tiago Guerra ter iniciado nas redes sociais uma campanha de sensibilização para o caso, na qual pede também que sejam enviadas cartas às autoridades timorenses.

Tiago Guerra foi detido em Díli, juntamente com a mulher, no passado dia 18 de outubro. Está atualmente em prisão preventiva na cadeia de Becora, em Díli, e a mulher, Fonf Fong Chan, está com Termo de Identidade e Residência (TIR), impossibilitada de sair de Timor-Leste.

Inês Lau, irmã de Tiago Guerra e atualmente a residir no Brasil, é um dos familiares envolvidos na campanha, tendo já enviado uma carta ao primeiro-ministro timorense, Rui Araújo, com conhecimento para o chefe de Estado timorense, Taur Matan Ruak, o chefe do Governo português, Pedro Passos Coelho, e para o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário.

Na carta, a que a Lusa teve acesso, Inês Lau manifesta preocupação pela detenção do seu irmão sem que, até ao momento, tenha sido feita qualquer acusação. 

"Até à presente data, o Tiago continua detido em prisão preventiva em Bécora e a sua mulher está com um Termo de Identidade e Residência, impossibilitada de se ausentar do país", escreveu.

"Sabendo que o Tiago, ao fim de cinco meses de detenção, ainda não foi formalmente acusado, nem tão pouco diretamente responsabilizado por qualquer crime por ele cometido, venho manifestar junto de Vossa Excelência a minha profunda preocupação pela situação do Tiago, agravada pelas insuficiências do sistema judicial de Timor-Leste", reforça.

A irmã de Tiago Guerra apela à "intervenção pessoal" do chefe do Governo timorense para "a breve resolução desta lamentável situação".

Inês Lau denuncia as condições da prisão onde se encontra o irmão, referindo que este está a partilhar uma cela com outros presos, "em débeis condições de higiene (sem água canalizada, cama ou sequer um colchão)".


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