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Rui Pereira diz que ameaça terrorista é remota em Portugal, mas que o risco aumentou

O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), Rui Pereira, disse hoje que o grau de risco terrorista aumentou em Portugal nos últimos tempos, apesar de a ameaça ser remota.

© Rafael Marchante / Reuters

"Embora Portugal não esteja ainda na primeira linha da ameaça do terrorismo de inspiração fundamentalista, nos últimos tempos o grau de ameaça aumentou", disse aos jornalistas Rui Pereira, no final de um debate organizado pelo OSCOT sobre "terrorismo, media e novos media".

O ex-ministro da Administração Interna justificou este aumento do risco terrorista com o facto do Estado Islâmico (EI) ser "uma organização especialmente perigosa que dispõe de uma base territorial sobre a qual pretende exercer um poder soberano", constituindo, por isso, "uma ameaça para todos os estados ocidentais".

Rui Pereira adiantou que não se pode excluir que os luso-descendentes ou portugueses que foram recrutados pelo Estado Islâmico venham a praticar um atentado terrorista em Portugal. 

"Não é um cenário muito provável, não é um perigo iminente, mas é um perigo", sustentou.

Sobre a detenção de dois alegados terroristas espanhóis hoje de manhã no aeroporto Sá Carneiro, no Porto, Rui Pereira afirmou que, pela localização de Portugal, existem pessoas a atravessar o território, sublinhando que as detenções feitas pelo SEF demonstram que as forças e serviços de segurança estão a funcionar bem.

"Portugal tem uma localização geoestratégica ímpar, é uma varanda aberta sobre o Atlântico virada para a América e para África, portanto, é natural, pela sua localização até em relação a Espanha que haja pessoas que atravessem o território português", afirmou, acrescentando que o importante é que as forças e serviços de segurança, que se têm demonstrado competentes, cumpram o seu papel

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) deteve, hoje de manhã, um cidadão de nacionalidade espanhola, portador de um passaporte venezuelano falso, condenado em Espanha a 11 anos de prisão por "crimes de participação em organização terrorista".

Segundo o SEF, o cidadão detido pretendia sair de Portugal com um passaporte falso com destino à Venezuela.

Foi ainda retido "para identificação" um segundo cidadão de dupla nacionalidade, espanhola e venezuelana, que "acompanhava o detido".

O debate do OSCOT realizou-se por ocasião do dia europeu em memória das vítimas de terrorismo, que hoje se assinala.

Lusa
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