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Helena Roseta defende que "estado de raiva" dos portugueses deve ser sentido nas urnas

A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa disse hoje que é preciso que "o estado de raiva" passe das manifestações para as urnas e criticou o "cinismo" da política portuguesa, referindo-se às falhas na carreira contributiva do primeiro-ministro.

"Temos que dar um passo muito importante que é passar do estado de raiva não só para manifestações de rua, é preciso passar das mobilizações, das ruas e das redes sociais para as urnas", disse Helena Roseta na sua intervenção no Congresso da Cidadania, Rutura e Utopia, em Lisboa.

Helena Roseta acrescentou que Portugal assiste todos os dias "ao cinismo na política portuguesa, com a sistemática aplicação de dois pesos e duas medidas em todas as situações, mais recentemente com as dívidas à Segurança Social e ao fisco do primeiro-ministro, que para ele é indulgente e para todos nós é intransigente".

A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa sublinhou que "há uma fratura crescente" entre as pessoas e os políticos, e criticou o Presidente da República, Cavaco Silva, por considerar que "não há problemas, está tudo bem".

"As pessoas revoltam-se porque não é isso que se espera de um Presidente da República eleito", disse.

Para os novos partidos e movimentos, Helena Roseta deixou o apelo que "é preciso fazer a diferença e fazer diferente", pedindo que "não caiam nos mesmos vícios e defeitos, sejam humildes no exercício do poder".

No mesmo painel de Helena Roseta esteve como orador Duarte Cordeiro, deputado da Assembleia Municipal de Lisboa.

O também líder da concelhia de Lisboa do PS reiterou que o seu partido deve procurar uma convergência de políticas, independentemente de obter, ou não, maioria absoluta nas próximas eleições legislativas, acrescentando que "convergência não significa coligações, pode também significar mas não significa necessariamente".

Em declarações aos jornalistas no final da sua intervenção no Congresso da Cidadania, Rutura e Utopia, em Lisboa, Duarte Cordeiro disse que "existe campo para a convergência e é fundamental que os partidos se disponibilizem".

Questionado se o PS procura uma convergência à esquerda, Duarte Cordeiro sublinhou que "António Costa, desde a sua eleição, tem tido um discurso aberto e disponível para a convergência".

 Na opinião do dirigente socialista, estas ligações políticas dariam lugar a "alternativas mais fortes e mudanças mais rápidas", não estando limitadas aos partidos, mas "cada vez mais apoiadas em movimentos, formais ou informais, da sociedade civil".  

O dirigente socialista abordou também a abertura dos partidos a pessoas não filiadas, a situação política da Grécia e as atitudes do Governo português face aos resultados do programa de ajustamento.  

"Considero que a abertura dos partidos a não membros é cada vez mais importante, seja para simplesmente partilharem e votarem nas escolhas programáticas ou nos candidatos que são propostos, seja para posteriormente participarem nessas mesmas candidaturas como protagonistas", disse.


Lusa
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    Bernardo Ferrão

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