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Pai de português detido preventivamente em Díli incrédulo com processo

Carlos Guerra, pai de Tiago Guerra, detido preventivamente em Díli por suspeitas de branqueamento de capitais, afrimou-se incrédulo com a detenção do filho e com os contornos de um processo que deixou a família "destroçada".

(Lusa/ Arquivo)

(Lusa/ Arquivo)

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Em entrevista à Lusa a partir de Portugal, onde está com a mulher e os dois netos, filhos de Tiago Guerra disse que a notícia do caso caiu como "um grande bomba num charco".

"As pessoas que conhecem o Tiago mostram-se incrédulas. É impossível isto estar a acontecer. Ele sempre foi cumpridor, desde miúdo. Não atravessava fora da passadeira", afrimou.

Preferindo evitar entrar em pormenores do processo, porque ainda está em segredo de justiça e, até ao momento, Tiago não foi formalmente acusado, Carlos Guerra mostrou-se apreensivo sobre o que pode durar a atual situação.

A lei timorense prevê que a prisão preventiva possa ser aplicada durante um ano e meio ampliável, em casos de grande complexidade, por mais um ano.

"Normalmente investiga-se para prender. Aqui prendeu-se para se investigar. E nem sei bem que investigações é que estão a ser feitas, nem em que ponto estão", disse.

Oficialmente, e como disse recentemente à Lusa o procurador-geral timorense, José Ximenes, Tiago Guerra é suspeito do crime de branqueamento de capitais com "factos que aconteceram em vários países", explicando que foram enviadas cartas rogatórias com pedidos de informação para Portugal e para Macau.

Carlos Guerra recordou que todo o processo da detenção de Tiago foi "surreal", com as autoridades a afirmar que estava a fugir de Díli quando o filho "esteve meses" a preparar a saída.

Organizou a venda de alguns bens pessoais, acertou contas, inscreveu os filhos na escola em Macau - onde tem residência e onde tinha uma proposta de emprego "irrecusável" - e "fez festas de despedida" na capital timorense.

"Isto não é de alguém que queira fugir. Até fotos das festas de despedida tinha nas redes sociais", disse.

Preso com a mulher e os dos filhos, um de nove e outro de oito anos, foi primeiro levado para uma esquadra onde ficou durante três dias - a mulher e as crianças acabam por ser libertadas - tendo sido apreendidos todos os documentos da família e computadores, incluindo das crianças.

Quando esteve em Díli, em outubro, presenciou uma "segunda detenção traumática" da nora, com "pelo menos 15 guardas, vários armados e um fotógrafo da polícia" a deter a mulher e a pretender levar consigo as duas crianças.

"Queriam levar os miúdos. Recusámos porque o mandado só falava na minha nora. Foi um processo manifestamente excessivo e intimidatório. Só posso acreditar que foi feito para coincidir com a nossa presença. Nada parece ao acaso neste processo", explicou.

Mais preocupante para Carlos Guerra são as condições em que o filho está detido na cadeia de Becora.

Durante várias semanas dividiu cela com vários detidos já condenados, depois, já no final do ano passado, passou para outra com sete outros presos preventivos.

"Toda a gente fumava na cela. E ele acabou por ter problemas respiratórios e outros que o deixaram muito doente, acabando por ser hospitalizado. Agora divide uma cela com apenas um outro detido. A cela tem um buraco no chão a servir de casa de banho e o Tiago dorme no chão", descreveu.

Conversou com o filho presencialmente uma vez, quando visitou a cadeia a 31 de outubro e, desde aí, apenas duas vezes, ao telefone, a 17 de dezembro, dia dos anos da mãe, e a 01 de janeiro, dia do aniversário do filho mais velho.

"Acho que o caso é político. Só pode ser. Não há nenhum facto. Zero. Nenhum que incrimine o Tiago. Não posso entrar em pormenores mas não há nenhum facto. Está preso por suspeitas. E aplicam a medida máxima de coação por suspeitas", acrescentou.


Lusa
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