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Duas empresas portuguesas processadas por burla de 22 milhões nos EUA

Duas empresas portuguesas, que operavam sob o nome Wings Network, foram acusadas pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos de um esquema de fraude em pirâmide envolvendo 23.5 milhões de dólares, cerca de 22.2 milhões de euros.

© Michael Spooneybarger / Reuters

Segundo a queixa apresentada a 25 de fevereiro no Tribunal de Boston, consultada pela agência Lusa, as empresas portuguesas chamam-se Tropikgadget Unipessoal LDA e Tropikgadget FZE e terão burlado milhares de investidores, sobretudo imigrantes portugueses, brasileiros e dominicanos. 

As empresas estão com a atividade suspensa desde que foram acusadas em abril do ano passado pelo estado de Massachusetts.

Além das duas sociedades, o documento acusa 15 indivíduos, incluindo o português Carlos Luís da Silveira Barbosa, presidente executivo da Wings Network, e Cláudio de Oliveira Pereira Campos, que atuava como diretor de operações.

Segundo esta queixa, no seguimento da abertura do primeiro processo, parte do dinheiro angariado no esquema foi transferido para indivíduos e contas off-shore.

A Comissão de Valores Mobiliários norte-americana garante que 8.7 milhões de dólares (perto de 8 milhões de euros) foram transferidos a 08 de maio para uma empresa com o nome Compasswinner LDA; 1.18 milhões (1.1 milhões de euros) seguiram, quatro dias depois, para a companhia Happy SGPS SA e, ao longo de vários meses, 570 mil dólares chegaram a uma conta no nome de Paulo Hideki Koga.

Com base nestes dados, e no seguimento do pedido da Comissão de Valores Mobiliários, o Tribunal de Boston decretou o congelamento dos bens dos acusados.

Ainda segundo a acusação, a Wings Network operou entre agosto de 2013 e abril de 2014, apresentando-se como um negócio de marketing sustentado pelas vendas de produtos eletrónicos.

Os clientes burlados compravam um pacote de 1.499 dólares (1.417 euros) e, caso conseguissem mais dois investidores, passavam a receber 750 dólares (709 euros) por mês. Com seis novos investidores, receberiam 550 dólares (404 euros) por dia.

"Apesar dos esforços dos acusados para a retratar como uma empresa de marketing de multinível para a venda de bens e serviços, a Wings Network era um esquema de pirâmide," lê-se na acusação. 

"As receitas da Wings Network provinham unicamente da filiação de novos investidores, não da venda de qualquer produto", acrescenta. 

Segundo a acusação, os dois portugueses realizaram várias apresentações sobre o produto. Além de Massachusetts, estes encontros aconteceram no Connecticut, Califórnia, Flórida, Massachusetts, Pensilvânia, Texas, Geórgia e Utah.

Os dois homens participaram também em vários vídeos partilhados na internet.

A acusação diz que estes vídeos continham discrições "vagas" da empresa, que prometiam o desenvolvimento de novos produtos "revolucionários" e que deixavam os investidores "confusos".

A Wings Network foi criada por Sérgio Tanaka, um brasileiro que detém 14 empresas nos Estados Unidos e era presidente da empresa na altura do seu encerramento. 

Em Massachusetts, os principais líderes do negócio eram os casais de brasileiros Vinícius Aguiar e Thaís Aguiar e Geovani Bento e Priscila Bento.

A investigação contou com a colaboração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários portuguesa e da Procuradoria-Geral da República de Portugal.

 





Lusa
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