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Governo quer plano de ação do lobo ibérico concluído até final de maio

O secretário de Estado da Conservação da Natureza lançou hoje o desafio para se concluir até ao final de maio o plano de ação para a conservação do lobo ibérico, que inclui um novo censo à espécie.

© Rafael Marchante / Reuters

Miguel de Castro Neto participou esta manhã numa primeira reunião que juntou, em Vila Real, representantes do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e de diversas entidades públicas e privadas, com vista à preparação do plano de ação para a conservação do lobo ibérico.

"O que nós gostaríamos era que este plano de ação estivesse terminado até ao final do mês de maio", revelou o governante.

O trabalho tem como ponto de partida um estudo que foi desenvolvido desde janeiro e apresentado hoje, que compila informação que estava dispersa sobre a população lupina em Portugal.

"A partir daí há um conjunto de eixos estratégicos de intervenção que vão desde o conhecimento da população e da biologia do lobo em Portugal, o conhecimento de todas as questões relacionadas com a sua mortalidade, com as doenças ou o conhecimento das populações das presas naturais do lobo", referiu Miguel de Castro Neto.

O último censo feito a esta espécie protegida data de 2002/2003, altura em que se contabilizaram 51 alcateias confirmadas e 12 alcateias prováveis. 

De acordo com os dados revelados agora, entre 2004 e 2013 foram confirmadas 41 alcateias, mais 11 prováveis e sobre 17 não há informação disponível. E se, por exemplo, nas zonas do Alto Minho e Arada-Trancoso se verificou alguma estabilidade na população lupina, no Alvão-Marão houve um acentuado decréscimo, o que também poderá ser explicado pela proliferação de estradas nesta zona do distrito de Vila Real.

Entre 1999 e 2014 foram recolhidos 100 lobos mortos, a maior parte dos quais vítima de atropelamento.

Nos últimos meses têm surgido também na comunicação social vários casos de ataques de lobos, com os produtores a queixarem-se de um aumento do número de animais e, consequentemente, de ataques.

Os dados oficiais do ICNF revelam que nos últimos anos a média de ataques ronda os 2.500 anuais, com o valor das indemnizações a atingir um valor que ronda os 700 mil euros por ano. 

 "Agora importa fazer um novo censo que, de forma segura e sólida, possa esclarecer de uma vez por todas se existem mais ou menos lobos, onde o lobo está ou não está e quais é que devem ser efetivamente as ações a desencadear", afirmou Miguel de Castro Neto.

O secretário de Estado sublinhou a necessidade de se encontrar "um equilíbrio" que concilie a conservação do lobo com a manutenção da atividade agrícola e pecuária.

"Estatisticamente os valores dos ataques que comprovadamente se verificaram no terreno têm um impacto muito reduzido. No entanto, qualquer impacto neste tipo de tecido económico frágil é muito sensível e é isso que nos temos que acautelar", frisou.

Miguel de Castro Neto defendeu ainda que não se pode basear uma política de conservação e de proteção desta espécie "numa lógica de compensação dos prejuízos causados".

"O que nós temos é que ter uma abordagem integrada", sublinhou.

O secretário de Estado lembrou que foram incluídas no Programa de Desenvolvimento Rural medidas de apoio para a construção de cercados de proteção dos efetivos pecuários e ainda para a manutenção de cães pastores.

Este apoio aos produtores que vivem em territórios de presença do lobo ibérico vai ser retirado de um bolo de 56 milhões de euros.

Miguel de Castro Neto fez questão de realçar a presença, na reunião de hoje, de representantes de associações de agricultores, produtores pecuários e da caça, e sublinhou que o plano tem que ser articulado entre todas as entidades.

Lusa
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