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Deputados portugueses visitam português preso preventivamente desde outubro em Díli

Uma delegação parlamentar portuguesa que está em visita a Timor-Leste encontrou-se hoje, durante cerca de 40 minutos, com o cidadão português Tiago Guerra, detido preventivamente desde outubro na cadeia de Becora, em Díli.

(Lusa/ Arquivo)

(Lusa/ Arquivo)

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A visita foi solicitada pelos deputados à margem da sua extensa agenda de contactos com as autoridades timorenses, incluindo membros do Governo e deputados.

Magro, com o uniforme de 't-shirt' e calção azul da prisão, nas costas a palavra "Prisioneiro" a amarelo, Tiago Guerra encontrou-se com os deputados numa das salas administrativas da cadeia, localizada na zona de Becora, parte oriental da capital.

A delegação parlamentar portuguesa é composta pelos deputados Arménio Santos (PSD), Antónia Almeida Santos (PS), Inês Teotónio Pereira (CDS-PP), João Ramos (PCP) e Helena Pinto (BE).

Os parlamentares portugueses, que estarão em Díli até sábado para contactos com as autoridades timorenses, quer membros do Governo quer deputados, remeteram para mais tarde declarações sobre os encontros que já mantiveram desde que chegaram, na terça-feira, a Díli.

Tiago Guerra está detido preventivamente em Timor-Leste desde outubro, por suspeitas de branqueamento de capital, mas sem que, até ao momento, tenha sido formalizada contra si qualquer acusação.

A sua mulher, Chan Fong Fong Guerra, que foi detida na mesma altura, está com Termo de Identidade e Residência (TIR), impossibilitada de sair de Timor-Leste.

No final de março os advogados de defesa apresentaram ao Ministério Público timorense documentos e declarações para clarificar a sua situação financeira e, em breve, deverão apresentar um parecer a solicitar o "reexame dos pressupostos da aplicação da prisão preventiva" e a "alteração para uma medida não privativa de liberdade".

Oficialmente, e como disse recentemente à Lusa o procurador-geral timorense, José Ximenes, Tiago Guerra é suspeito do crime de branqueamento de capitais com "factos que aconteceram em vários países", explicando que foram enviadas cartas rogatórias com pedidos de informação para Portugal e para Macau.

Carlos Guerra, pai de Tiago Guerra, disse em recente entrevista à Lusa estar incrédulo com a detenção do filho e com os contornos de um processo que deixou a família "destroçada".

Preferindo evitar entrar em pormenores do processo, porque ainda está em segredo de justiça e, até ao momento, Tiago não foi formalmente acusado, Carlos Guerra mostrou-se apreensivo sobre o que pode durar a atual situação.

A lei timorense prevê que a prisão preventiva possa ser aplicada durante um ano e meio ampliável, em casos de grande complexidade, por mais um ano.

"Normalmente investiga-se para prender. Aqui prendeu-se para se investigar. E nem sei bem que investigações é que estão a ser feitas, nem em que ponto estão", disse.

O caso de Tiago Guerra está a suscitar uma ampla campanha de solidariedade dentro e fora das redes sociais com muitos a escreverem diretamente às autoridades timorenses a pedirem a sua intervenção.

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