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"Noruega" sai à procura de sardinha mas o que vem à rede é biqueirão

O navio "Noruega" iniciou hoje mais uma campanha científica para avaliar o estado do 'stock' da sardinha, mas o peixe mais procurado da costa portuguesa nem para amostra quis aparecer.

Lusa

O navio deixou hoje a Doca do Espanhol, em Lisboa, cerca das 10:00, em direção a Cascais, levando a bordo jornalistas, cientistas e a ministra do Mar, Assunção Cristas, que quis ir "observar" o arranque da campanha que vai ser desenvolvida pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), juntamente com embarcações de pesca, para avaliar a existência de sardinha.

Entre 14 de abril e 14 de maio, o "Noruega" vai navegar pela costa portuguesa, desde Caminha até ao golfo de Cádis, prevendo-se que seja feito um rastreio acústico dos cardumes com uma nova sonda, mais precisa, 45 lances de pesca e recolhidas 500 amostras de plâncton e hidrologia.

Ao certo, sabe-se que o 'stock' da sardinha se encontra ao nível mais baixo em 36 anos de registos, mas ninguém tem certezas sobre o que está a causar o desaparecimento.

"Não se conhecem as causas, normalmente são causas múltiplas, pode ter a ver com o aquecimento das águas, pode ter a ver com o aparecimento de outras espécies mais do sul, como, por exemplo, a cavala, ou o carapau, que podem competir ou alimentarem-se dos ovos e das larvas da sardinha e contribuírem para que ela não floresça", sugeriu a investigadora do IPMA, Alexandra Silva.

Portugal chegou a pescar 100 mil toneladas de sardinha nos anos 80, mas este ano a captura da sardinha ibérica, cujo 'stock' é gerido conjuntamente por Portugal e Espanha, não deve ultrapassar as 19.095 toneladas.

Apesar das medidas restritivas da pesca se manterem, há algum otimismo sobre a recuperação da sardinha.

Segundo Alexandra Silva, "nos últimos dois ou três anos tem-se notado uma estabilização, [o 'stock] não continuou a decrescer". Mas - avisa - "ainda é cedo" para que o 'stock' seja sustentável. "É necessário que apareça o que chamamos um bom recrutamento de sardinha, ou seja, que muitos juvenis sejam acrescentados ao 'stock' e que fiquem acessíveis à pesca", explicou.

Ao largo de Cascais, o "Noruega" para alguns minutos para simular um lance de pesca numa zona de juvenis, mas a expectativa dos tripulantes rapidamente se transforma em desilusão quando a rede é puxada de volta, praticamente vazia.

A custo se consegue descortinar uma sardinha entre uma dezena de pequenos biqueirões, e mesmo este juvenil suscita dúvidas.

A ministra não desanima: "Hoje tínhamos esperança de ver mais sardinha, mas de facto ela não apareceu neste lance, o que não quer dizer que amanhã não possa aparecer noutro lance, mais para norte ou mais para sul".

Assunção Cristas mantém-se cautelosa face às perspetivas de pesca, apesar de estarem a aparecer "alguns dados positivos"

"Temos de ter cautela. Se, de repente, dizemos: 'este ano melhorou um bocadinho os juvenis, vamos permitir mais pesca', o que significa é que depois os juvenis não chegam à idade adulta e, na verdade, não estamos a resolver de forma sustentável e duradoura este problema", sublinhou a governante, lembrando que, em 2013, não se chegou a esgotar a quota de 26 mil toneladas disponíveis porque "não existia" sardinha.

Para evitar que haja uma suspensão da pesca, como aconteceu o ano passado, as quotas estão a ser geridas parcimoniosamente pelos pescadores.

"Este ano não se prevê que venha a haver uma paragem. Se as organizações continuarem a fazer uma gestão criteriosa das suas possibilidades de pesca, o que se prevê é que possam, pescar até ao final do ano", prevê Assunção Cristas. 

Da quota de 4.000 toneladas de sardinha atribuídas às organizações de pesca entre março e maio, foram pescadas apenas 756 toneladas, segundo os dados oficiais.

O que significa que os pescadores preferem esperar por dias que tragam sardinhas mais gordas e preços a condizer.

Por enquanto, o preço médio do quilo de sardinha ronda os 0,82 cêntimos, e em algumas lotas como Nazaré e Lagos não ultrapassou os 0,59 cêntimos.




Lusa
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