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Funeral de Mariano Gago sai hoje da Basília da Estrela rumo a Olhão

O Presidente da República enviou uma mensagem de condolências à família de Mariano Gago. Cavaco Silva escreve que o país perdeu uma das personalidades mais marcantes da vida científica e cultural.  O corpo de Mariano Gago sai ao meio-dia da Basílica da Estrela, em Lisboa, rumo ao cemitério de Olhão onde se realiza esta tarde o funeral.

José Sena Goulão / Lusa

O funeral do ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior Mariano Gago, realiza-se hoje, no cemitério de Pechão, Olhão, para onde seguirá às 12:00, depois das cerimónias na Basílica da Estrela, em Lisboa.

A informação foi prestada pelo gabinete de imprensa do Instituto Superior Técnico (IST).

José Rebelo Mariano Gago morreu na sexta-feira, em sua casa, em Lisboa, aos 66 anos, vítima de morte súbita, depois de quase dois anos de luta contra o cancro, disse à Lusa fonte próxima do cientista.

Mariano Gago foi ministro da Ciência e da Tecnologia de 1995 a 2002, dos XIII e XIV Governos Constitucionais, liderados por António Guterres, e ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em novos governos do Partido Socialista - o XVII e o XVIII Governos Constitucionais, de 2005 a 2011 -, desta vez com José Sócrates como primeiro-ministro.

O físico de partículas, Mariano Gago foi a personalidade que mais tempo ocupou o cargo de ministro, após 1974, num total de 12 anos.

Licenciou-se, em 1971, em engenharia eletrotécnica, no Instituto Superior Técnico, onde foi professor catedrático. Doutorou-se em Física pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, em 1976, foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, entre 1986 e 1989, e dirigiu o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, em Lisboa.

Durante a sua ação governativa, privilegiou protocolos com grandes instituições para programas de investigação avançada, nomeadamente com o Massachussets Institute Tecnology (MIT), Carnegie Mellon University (CMU) e a Universidade do Texas, em Austin.

Membro da Academia Europeia de Ciência (Academia Europaea), fundada em 1988, Mariano Gago foi agraciado com o título de Comendador da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 1992. 

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse na sexta-feira que recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento de Mariano Gago, que considerou um "académico ilustre" e um "homem que serviu o seu país" em altos cargos de governação.

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, destacou Mariano Gago como "uma personalidade brilhante, esfuziante", que "representa muito para a ciência em Portugal".

Para o presidente do Instituto Superior Técnico, Arlindo Oliveira, a morte de Mariano Gago deixa "um vazio muito grande na ciência", considerando o antigo ministro uma "pessoa muito inteligente que sempre deu o seu melhor para servir o país".

A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) lamentou, com "profundo pesar", a morte de Mariano Gago, destacando o seu "inestimável contributo para a ciência, tecnologia e a cultura científica em Portugal".

O antigo primeiro-ministro António Guterres manifestou-se "profundamente chocado" com a morte de Mariano Gago, destacando a sua "coragem" na luta contra a ditadura, o cientista "internacionalmente reconhecido" e o seu "contributo excecional" para o desenvolvimento científico. 


Lusa
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