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Estação geodésica e espacial da ilha de Santa Maria operacional em janeiro de 2016

A ilha de Santa Maria terá a funcionar em pleno em janeiro de 2016 uma estação geodésica e espacial equipada com a tecnologia mais precisa que existe para medir movimentos de massas terrestres, fundamentais para, por exemplo, prever sismos.

raege.morfose.net

A "estação geodésica fundamental" da ilha de Santa Maria, nos Açores, foi hoje inaugurada, é uma das quatro infraestruturas que integram a Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE) e a segunda que estará em funcionamento, depois de ter sido já inaugurada a de Yebes, Guadalajara, Espanha.

A estação de Santa Maria, equipada com tecnologia de ponta, única no país, inclui um radiotelescópio VLBI (interferometria de base muito longa) de 13 metros de diâmetro capaz de receber um conjunto vasto de dados que outros equipamentos, que integram também a estação, irão processar, tendo aplicações em áreas como a proteção civil, alerta de riscos naturais ou a indústria espacial, entre outros.

"Os dados que são aqui recebidos e que são aqui processados têm várias utilidades. Uma das primeiras utilidades, que tem muito interesse para os Açores, é a georreferenciação terrestre, isto é, com esta antena é possível fazer medições a partir de um décimo de milímetro dos deslocamentos das massas terrestres", disse aos jornalistas Luís Santos, diretor adjunto da RAEGE, à margem da inauguração da estação.

Luís Santos lembrou que "grandes catástrofes, principalmente a nível de sismos, e que se relacionam com a atividade vulcânica, têm associados deslocamentos das massas terrestres", permitindo a antena instalada em Santa Maria detetar "a partir de medidas com um décimo de milímetro" as movimentações da placa terrestre onde estão situados os Açores, ou seja, "a pontinha da placa africana".

No entanto, esta estação "tem muito mais utilidades", vincou Luís Santos.

"Os dados que se retiram da antena depois podem ser usados, por exemplo, para estudos de medida do eixo da terra, de variação do tempo ou de medida de rotação da terra. Mas podem também usados, e são pedidos estudos a estas estações, para, por exemplo, fazer medições da camada de plasma na alta atmosfera. São, por exemplo, pedidos estudos pelas empresas de telecomunicações para fazermos a aferição do posicionamento de satélites", acrescentou.

"Há clientes que fazem desta atividade negócio e para os quais podemos efetivamente trabalhar. Esta estação tem associado, efetivamente, o retorno económico do trabalho que se faz cá", disse ainda.

A RAEGE é um projeto do Governo Regional dos Açores e do Governo de Espanha, orçado em 25 milhões de euros, cofinanciados com verbas europeias, e que prevê a construção de quatro estações deste tipo, duas em Espanha e duas no arquipélago açoriano.

Além das duas já inauguradas, está em construção uma outra nas Canárias e está prevista uma quarta, em 2017, para a ilha das Flores.

Quando todas estiverem a funcionar, e com os quatro radiotelescópios operacionais, é como se, na prática, fossem "um paraboloide" de 3.500 quilómetros, segundo Luís Santos.

"A localização dos Açores é importante porque mais ninguém consegue observar no centro do atlântico", explicou, realçando que, além disso, as Flores e Santa Maria "têm um espetro radioelétrico muito, muito limpinho", sem "ruído" ou "lixo" que perturbe a receção dos sinais extremamente ténues e fracos com que estas estações trabalham.

No mundo, há atualmente nove estações deste tipo, por quem uma entidade mundial (IVS) distribui os trabalhos que são pedidos nas áreas da radioastronomia, geodesia e geofísica. Além do radiotelescópio VLBI, a estação está equipada, por exemplo, com um relógio atómico e um sismógrafo.

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