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Ramalho Eanes diz que povo deve exigir que políticos cumpram promessas

O antigo Presidente da República Ramalho Eanes defendeu esta terça-feira que, nas próximas eleições, se deve exigir aos políticos que cumpram as promessas e digam como as vão pagar, porque não basta ganhar eleições para se governar quatro anos.

O antigo Chefe de Estado realçou que, "em democracia, quem domina sempre, porque é soberano, é o povo, e dominado sempre, obviamente com justiça, com diálogo, é o Governo". (Arquivo)

O antigo Chefe de Estado realçou que, "em democracia, quem domina sempre, porque é soberano, é o povo, e dominado sempre, obviamente com justiça, com diálogo, é o Governo". (Arquivo)

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Ramalho Eanes encerrou hoje na Casa da Música, no Porto, a conferência do Jornal de Notícias que marca 127 anos do diário, considerado que "todos são em parte responsáveis, embora haja uns que são mais responsáveis e outros menos", pela situação atual do país.

"Entre as várias coisas que nos cabe exigir nas próximas eleições, há duas que eu entendo fundamentais: Exijamos que os políticos cumpram as promessas, mas, antes disso, nos digam como e onde vão arranjar meios para as executar", defendeu.

O antigo Chefe de Estado realçou que, "em democracia, quem domina sempre, porque é soberano, é o povo, e dominado sempre, obviamente com justiça, com diálogo, é o Governo".

"Não basta ganhar eleições para se governar quatro anos, é necessário ganhar eleições e governar bem", sublinhou.

Para Eanes, se se continuar a demissão de cada um daquilo que é a sua responsabilidade social, não será possível nunca ter uma democracia adulta.

"Que não mais permitamos que decisões políticas importantes sejam tomadas sem que a sua evidência pública seja apresentada pelo Governo. Não pode ser decidido sobre um grande investimento público sem que o Governo nos diga, nos demonstre a evidência do seu interesse", alertou.

O antigo Presidente da República quer ainda nesses "grandes investimentos haja uma transparência sistemática". 

"É bom que durante estas próximas eleições possamos dizer aos políticos que nós somos políticos, que a nossa participação não é feita de quatro em quatro anos", antecipou.

Ramalho Eanes falou ainda de "um certo receio" que corresponde a uma certa tradição na história: "que muitas vezes se confunda a vitória na noite das eleições com a conquista do país".
Lusa