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Machete e Aga Khan enaltecem acordo que estabelece sede da comunidade ismaelita em Portugal

O ministro Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerou hoje que a assinatura do acordo que estabelece a sede da comunidade Ismaelita em Portugal constitui um novo impulso para a investigação de alto nível nas universidades e institutos portugueses.  

MIGUEL A. LOPES

"O acordo hoje assinado representa um novo impulso para a investigação de alto nível que realizamos nas nossas Universidades e instituições de investigação, e dessa forma contribui para o progresso do nosso País", disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros (MENE) na cerimónia de assinatura do acordo no Palácio das Necessidades com o líder da Comunidade Ismaili, que tem o título de Aga Khan, e na presença, entre outros responsáveis, do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.  

Após sublinhar o "modelo de participação cívica e de consciência social" que esta comunidade oriunda de um ramo do islão xiita desenvolve em Portugal, onde está presente desde 1983, Rui Machete destacou a importância da "Rede Aga Khan para o Desenvolvimento" no panorama internacional e "conhecida" pelos portugueses.  

"A forte presença em determinados países da CPLP, como é o caso de Moçambique, estreita ainda mais os nossos laços e demonstra um potencial de conjugação de esforços que importa desenvolver", afirmou.  

A decisão do Governo português em acolher a sede global do 'Imamat Ismaili' (comunidade ismaelita) foi definida como "um importante sinal de abertura do Estado" dirigido à importante comunidade dos muçulmanos ismaelitas e num contexto em que "o diálogo intercultural e interconfessional assumem um papel de capital importância nas principais questões da agenda internacional".  

Neste contexto, o chefe da diplomacia considerou que as "ameaças às democracias e aos direitos das populações por parte de movimentos retrógrados, xenófobos e intolerantes" não podem ser menosprezadas, com o sucesso neste combate dependente da "estreita coordenação e de um trabalho conjunto". 

A importância e a "urgência" da missão do 'Imamat Ismaili' e da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento numa batalha pela democracia e direitos fundamentais que "só será vencida pelos corações e pelas consciências das nossas populações, em especial pelos nossos jovens" foi outra mensagem deixada pelo MENE. 

"Uma sociedade rica é, sobretudo, uma sociedade livre, na qual a democracia e os direitos fundamentais são basilares, e que promove uma sã convivência entre diferentes crenças, não desconsiderando nem oprimindo as minorias ou segmentos da população por força de uma visão arcaica da sociedade", salientou. 

Em resposta, o Aga Khan, título que atualmente detido pelo príncipe paquistanês nascido na suíça Karim al Husseini, que discursou em inglês ao lado de Rui Machete e de Pedro Passos Coelho, sublinhou um acordo "pouco comum" com um parceiro que partilha valores similares e que poderá permitir "qualidade de vida" para quem vive em Portugal e garanti-la em "outras partes do mundo" onde possa ocorrer uma cooperação conjunta.  

"Hoje é uma ocasião única e importante, onde pela primeira vez na nossa história teremos a oportunidade de trabalhar com um parceiro com quem partilhamos tantos valores, tantas esperanças e tantos desejos", frisou. 

"Assim, espero pela aprovação [do acordo] pelo parlamento, porque são uma democracia, e quando estiver concluída espero que possamos trabalhar em conjunto para alcançar resultados que não obtivemos quando trabalhávamos sozinhos", enfatizou, em referência a um acordo que considerou "permanente", disse o líder da comunidade ismaelita. 

O Aga Khan também assinalou um dia particularmente "importante" para a sua comunidade, que possui um "grande respeito e admiração por Portugal", país com "visão histórica e global, um país onde a fé se integra com a sociedade civil, um país onde todas as pessoas são felizes, ou pelo menos a maioria", num mundo onde a felicidade é "pouco usual". 

Um acordo também justificado pelos "valores que partilhamos, e que permite que sejam desenvolvidos em Portugal e nos países que falam português, como Moçambique", afirmou o líder dos ismaelitas. 

Lusa
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