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Associação de Oficiais das Forças Armadas fora do 10 de junho de Cavaco Silva

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) decidiu não participar nas comemorações do 10 de junho, presididas por Cavaco Silva, considerando ser uma incongruência já que têm vindo a demonstrar o seu descontentamento pela forma como os militares estão a ser tratados.

Representantes da Associação de Oficiais das Forças Armadas

Representantes da Associação de Oficiais das Forças Armadas

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"Seria uma incongruência manifestar descontentamento com o que se passa com os militares e agora participar num evento com o qual até nos nos sentimos sentimentalmente irmanados. Depois dos acontecimentos recentes que culminaram na publicação do estatuto que penaliza gravemente os militares e desrespeita e não honra aqueles que juraram defender a pátria, não faz sentido", disse em declarações à agência Lusa o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), Pereira Cracel.

O responsável lembrou ainda que, há poucos dias, uma delegação da AOFA, representativa dos três ramos das Forças Armadas, quis devolver condecorações recebidas por serviços prestados em combate para contestar o novo Estatuto dos Militares das Forças Armadas (EMFA), que aumenta a idade da reforma de 65 para 66 anos, a partir de 2016, além de um outro modelo de convocação de militares na reserva para o desempenho de funções, por exemplo, mas foi impedida de se aproximar do Palácio de Belém.

"Não fazia agora sentido estarmos presentes quando num gesto simbólico quisemos entregar as medalhas com que fomos condecorados", recordou.

Desta forma, o coronel Pereira Cracel adiantou à Lusa que os oficiais associados da AOFA vão comemorar o 10 de junho junto ao monumento que homenageia os combatentes do Ultramar, em Belém, à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, já que, habitualmente e paralelamente às cerimónias presididas por Cavaco Silva, realizam uma cerimónia neste dia.

A Associação de Oficiais das Forças Armadas vai juntar-se assim este ano à Associação Nacional de Sargentos (ANS) e à Associação de Praças (AP) no boicote que estes têm feito às comemorações do 10 de junho, que este ano decorrem em Lamego.

"Os serviços da Presidência e o Presidente têm tido uma ação incompreensível para com homens honrados que servem o país em várias tomadas de posição e perante medidas diversas. A grande novidade, este ano, é que os oficiais vêm ao encontro do protesto de sargentos e praças, finalmente", afirmou José Gonçalves, presidente da Associação Nacional de Sargentos, assegurando que os militares "farão o seu 10 de junho, como sempre, junto ao monumento pelas vítimas da Guerra Colonial, em Belém".

Segundo a ANS, o momento evocativo de quarta-feira, Dia de Portugal, organizado pela Liga dos Combatentes, terá início às 10:00 e contará com uma intervenção do presidente da comissão organizadora da homenagem, o general Leonel de Carvalho, e outra de um filho de um militar morto em combate.



Lusa
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