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Apresentadas hoje várias recomendações para melhorar vida dos idosos

Especialistas apresentam hoje, na Assembleia da República, várias recomendações para "estimular políticas" e criar boas práticas promotoras do envelhecimento ativo e saudável, como espaços e serviços amigos do idoso e soluções integradas de saúde e assistência social.

(Reuters/Arquivo)

(Reuters/Arquivo)

© Michaela Rehle / Reuters

As recomendações, resultantes do trabalho realizado pelo consórcio nacional Ageing@Coimbra, região europeia de referência para o envelhecimento ativo e saudável, vão ser apresentadas num debate, no auditório da AR, que reúne deputados, membros do Parlamento e de entidades das áreas sociais, da saúde e da sociedade civil.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador científico do Ageing@Coimbra, João Malva, explicou que estas recomendações passam por algumas medidas preventivas e de promoção de saúde que visam uma vida melhor, ativa e saudável, adaptada à idade avançada. 

"Temos um enorme problema relacionado com o envelhecimento das populações" e estas alterações demográficas fazem com que haja um número cada vez maior de idosos e um menor número de jovens adultos em idade produtiva, explicou.

Esta situação causa "grandes problemas a nível da integração dos idosos na vida ativa das sociedades", mas também nos sistemas de saúde e apoio social.

"Há um grande número de cidadãos que tem má qualidade de vida", diferentes doenças crónicas e vão perdendo funcionalidades, dignidade, acabando por "estar mais excluídos da sociedade produtiva".

Além da perda de dignidade que afeta os seniores, "há também o problema económico e social que ataca os estados, porque um grande número de pessoas depende de ajuda da sociedade", sublinhou João Malva.

As propostas visam combater estas situações, através de medidas como a promoção de uma maior integração entre o sistema de acompanhamento social e cuidados de saúde no idoso, para evitar que trabalhem "de costas viradas uns para os outros".

Outras medidas passam por "atacar a doença crónica e gerir convenientemente a doença de modo a devolver saúde às pessoas", pela adesão à terapêutica médica, por evitar a 'polimedicação' e prevenir a fragilidade física, cognitiva e imunitária.

O desenho de políticas e espaços urbanos e rurais amigos dos idosos, que "facilitem a sua integração e não forcem a sua exclusão", e a promoção da investigação e do conhecimento sobre o envelhecimento para "conseguir criar uma sociedade mais culta" sobre este problema são outras das propostas.

 "Se a sociedade entender melhor o problema está mais recetiva a implementar as boas práticas para resolver estes problemas", defendeu João Malva, advertindo que, até 2050, Portugal será um dos 10 países mais envelhecidos do mundo.

Segundo João Malva, estas recomendações visam sobretudo sensibilizar a população: "Só com o fortíssimo apoio da sociedade a estas causas é que os decisores políticos e os decisores de um modo geral podem tomar decisões de fundo e levar à prática as alterações".

"É muito importante uma cultura de mudança, que se constate que há problemas e que é necessário atacá-los" e estas recomendações fazem parte deste processo de transmitir a nossa preocupação e apontar alguns caminhos", acrescentou.



Lusa

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