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Quase 40% dos sem-abrigo criticam papel das instituições na inserção laboral

Quase 40% das pessoas em situação de sem-abrigo dizem que as instituições pouco ou nada fazem pela sua inserção laboral, concluiu um estudo da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, que é apresentado hoje. 

© Rafael Marchante / Reuters

Cerca de 25% dos 172 inquiridos consideraram que as instituições que desenvolvem apoio nesta problemática não ajudam "nada" na inserção laboral e quase 15% refere que as instituições ajudam "pouco", sendo que o estudo aponta ainda que essa percentagem aumenta quando se fala do trabalho para a reaproximação da família, com 50% das pessoas em situação de sem-abrigo a referir que as estruturas existentes pouco ou nada fazem nesse sentido. 

 
 

Já no âmbito da garantia de alojamento, alimentação, vestuário e higiene pessoal, a maioria (80%) dos participantes no projeto de investigação consideram que as instituições ajudam "muito" ou "bastante", refere o estudo a que a agência Lusa teve acesso e que é apresentado hoje, no auditório da Faculdade de Psicologia, no decorrer da conferência internacional "Situação de Sem-Abrigo e Inclusão Laboral: O Valor do Trabalho e das Relações". 

 
 

De acordo com o coordenador do estudo, Joaquim Ferreira, o sistema está demasiado centrado na resposta às necessidades básicas: "tem de se passar de um regime que é demasiado assistencialista para um de capacitação das pessoas". 

 
 

Para o investigador, deve-se "definir e desenvolver planos quase individuais de reinserção das pessoas", de forma que estas possam "assumir um controlo das suas vidas". 

 
 

"A falta de trabalho assume um papel central", reforça, apontando para este como um fator essencial para a entrada ou saída da situação de sem-abrigo. 

 
 

Segundo o estudo, cerca de 70% das pessoas sem-abrigo considera que o trabalho "é muito importante para si e para as suas vidas", e 83% sente que se adapta facilmente a qualquer trabalho. 

 
 

Quase dois terços sentem-se capazes de lidar com as exigências de um posto de trabalho na atualidade. No entanto, 53% refere que é difícil ou muito difícil sair da situação de sem-abrigo e 80% considera mais difícil arranjar trabalho por estar nessa mesma situação. 

 
 

Quanto aos motivos que levaram os inquiridos para uma situação de sem-abrigo, os mais destacados são a falta de rendimentos, ruturas familiares, desemprego e perda da habitação. 

 
 

A também investigadora do projeto Lara Figueiredo salienta que se estão a fazer "algumas coisas boas" nas instituições, mas é possível fazer-se "mais e melhor". 

 
 

A mudança, na sua ótica, tem de passar "pela formação dos técnicos", acrescentando que as circunstâncias atuais "também não são favoráveis" à inserção laboral, para além das instituições não responderem a novas situações de sem-abrigo, como os jovens ou famílias que perderam emprego e habitação. 

 
 

No decorrer do estudo, foram realizados 172 questionários em âmbito institucional e em contexto de rua e realizadas 14 entrevistas em profundidade, durante 2014 e 2015, nas cidades de Coimbra, Aveiro, Vila Nova de Gaia e Porto, contando com a colaboração direta de cerca de 20 instituições e coletivos. 



Lusa

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