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Cavaco salienta defesa das mulheres e diálogo com Mediterrâneo nos prémios Norte-Sul

O Presidente da República salientou hoje a defesa dos direitos das mulheres inerente à atribuição do prémio Norte-Sul a Maura Lynch e o diálogo entre a Europa e o Sul do Mediterrâneo materializado na distinção de André Azoulay

MIGUEL A. LOPES

Na entrega do prémio Norte-Sul, na Assembleia da República, o Chefe de Estado português, Cavaco Silva, apelou aos diplomatas presentes um maior apoio dos seus países ao Centro Norte-Sul, que valorizou como "um importante instrumento do Conselho da Europa".

"No âmbito dos prémios hoje atribuídos gostaria de sublinhar, por um lado, a vertente dos direitos humanos e, nomeadamente, dos direitos das mulheres. O trabalho de Maura Lynch revela o muito que ainda há a fazer nesse domínio mas, simultaneamente encoraja-nos a avançar", afirmou Cavaco Silva.

Maura Lynch é médica-cirurgiã e obstreta, esteve ao serviço das Missionárias Médicas de Maria em Angola e no Uganda, especializada no tratamento de situações de trauma pélvico pós-obstetrício, que provoca incontinência crónica se não for tratado ou prevenido, constituindo, como sublinhou o Presidente da República, "um grave problema social e médico entre as mulheres".

"Quero também destacar, por outro lado, a vertente do diálogo entre a Europa e o Sul do Mediterrâneo, uma das componentes da ação de André Azoulay. As relações da Europa com os seus vizinhos são fundamentais e, neste contexto, o Mediterrâneo mantém-se uma área primordial e de grandes desafios", afirmou Cavaco Silva.

André Azoulay foi presidente da Fundação Euro-Mediterrânea Anna Lindh para o Diálogo entre Culturas, integra o Grupo de Alto Nível da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, presidente ao Comité Executivo da Fundação Três Culturas e Três Religiões, é fundador do Grupo Aladin, que atua ao nível das relações interculturais entre a comunidade islâmica e o resto do mundo, é conselheiro do Rei de Marrocos e tem participado no processo de Paz do Médio Oriente.

Também a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, numa mensagem de boas-vindas, enalteceu o contributo dos premiados, enquanto "fazedores de pontes".

O Presidente da República assinalou os 25 anos do Centro Norte-Sul que se comemoraram durante o último ano, constituindo "um quarto de século ao serviço da sensibilização dos temas da interdependência global e da promoção de políticas de solidariedade, em conformidade com os objetivos e princípios defendidos pelo Conselho da Europa".

"Os tempos conturbados que vivemos - marcados pelo aumento do radicalismo, da intolerância e da violência, e ilustrados pela ocorrência, ainda este ano, de trágicos acontecimentos em Paris, Copenhaga, Tunes e Sousse - reforçam a necessidade de continuar a promover o diálogo intercultural, a democracia e os direitos humanos, bem como a sensibilização para a realidade da interdependência global", defendeu".

"O papel do Centro na promoção dos valores e missão do Conselho da Europa mantem plena atualidade", sublinhou Cavaco Silva.

Após a cerimónia de entrega dos prémios, o Presidente visitou a exposição sobre Eusébio da Silva Ferreira que está patente no parlamento, enquadrada nas honras de Panteão concedidas ao futebolista.

O prémio Norte-Sul do Conselho da Europa é atribuído desde 1995 a duas personalidades que se tenham destacado pelo seu empenho a favor da promoção da solidariedade Norte-Sul.

Os domínios de ação dos distinguidos são a proteção dos direitos humanos, a defesa da democracia e do Estado de direito, promoção do diálogo intercultural, sensibilização da opinião pública para a problemática da interdependência e da solidariedade mundiais, reforço da cooperação Norte-Sul.

 

Lusa

  • Fuga de Vale de Judeus em junho de 1975 no Perdidos e Achados
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    Perdidos e Achados

    Prisão Vale de Judeus, final de tarde de domingo, dia 29 de junho de 1975. O plano da fuga terá sido desenhado por uma vintena de homens. Serrada a presiana metálica era preciso passar, para fora do edifício, as cabeceiras dos beliches onde os presos dormiam. Ao longo de cerca de uma hora 89 detidos, agentes da PIDE/DGS, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado português extinta depois da revolução de 1974, fogem do estabelecimento prisional.

    Segunda-feira no Jornal da Noite