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Francisco George admite que rendimentos da família influenciam qualidade de vida

O diretor-geral da Saúde, Francisco George, admitiu esta segunda-feira que os rendimentos da família influenciam a qualidade da sua vida, mas remeteu para os "estudiosos" a análise deste fenómeno.

Francisco George falava aos jornalistas no final da apresentação do relatório "A Saúde dos Portugueses. Perspetiva 2015", o qual traça o perfil da saúde dos portugueses.

Francisco George falava aos jornalistas no final da apresentação do relatório "A Saúde dos Portugueses. Perspetiva 2015", o qual traça o perfil da saúde dos portugueses.

Lusa

Francisco George falava aos jornalistas no final da apresentação do relatório "A Saúde dos Portugueses. Perspetiva 2015", o qual traça o perfil da saúde dos portugueses.

O documento concluiu que os indicadores melhoraram na última década, mas não teve em conta os efeitos da crise social e económica, "que se agravou no contexto do programa de ajustamento". 

Ainda assim, os autores referem que "os determinantes sociais constituem a principal abordagem de análise de saúde das populações". 

"Pesquisas demonstraram a existência de um gradiente social em função dos rendimentos familiares, isto é, relacionado com desigualdades e iniquidades, em particular com as diferenças ocorridas entre comunidades prósperas e pobres no que se refere, por exemplo, à esperança de vida e outros indicadores".

De acordo com o documento, a autoapreciação do estado de saúde diminui à medida que o estado dos inquiridos avança: empregado (61,4%), desempregados (52,5%), inativos (49%) e reformados (12,8%).

Aos jornalistas, Francisco George disse que os rendimentos influenciam sobretudo nas idades mais jovens, adultos e em idade de trabalhar.

"Os rendimentos, tal como o nível de instrução, influenciam no sentido da qualidade e esperança de vida", disse, concluindo: "Ninguém vai dizer que o pobre vive na mesma forma que uma família abastada".

Sobre o documento, o ministro da Saúde sublinhou "a evolução claramente positiva" de vários indicadores.

Paulo Macedo elegeu como o mais importante indicador a diminuição da mortalidade prematura.

Segundo o relatório, "Portugal registou em 2004 a proporção de óbitos prematuros de 27% e, em 2014, esta relação desceu para 22%".

"Assumiu-se o compromisso pela redução progressiva da mortalidade prematura, que deverá ficar em linha com a meta fixada para 2020, isto é, inferior a 20%".

Segundo as estimativas obtidas para Portugal, no âmbito do estudo Global Burden of Diseases (GBD), citadas no relatório, "os fatores de risco que mais contribuem para o total de anos de vida saudável perdidos pela população portuguesa são: hábitos alimentares inadequados (19%), hipertensão arterial (17%), índice de massa corporal elevado (13%), para além do tabagismo (11%)".

Em relação aos tumores, Paulo Macedo reconheceu que estes vão continuar a aumentar, mas que a prevenção e os tratamentos mais eficazes têm evitado números piores.

Este relatório contém uma ressalva: "Descreve a saúde das portuguesas e portugueses independentemente da influência conjuntural da crise social e económica que se agravou no contexto do Programa de Ajustamento que terminou em 2014, pelo que as questões associadas direta ou indiretamente ao sistema de saúde, incluindo recursos humanos e orçamentais, não serão alvo de análise".

Contudo, os autores -- especialistas dos vários organismos do Ministério da Saúde -- admitem "a possibilidade dos efeitos de crises económicas e sociais prolongadas terem reflexos em indicadores apenas a médio e longo prazo".

"Admite-se, igualmente, que a resiliência dos cidadãos, das famílias e das comunidades contribua para explicar os sucessivos ganhos em saúde", lê-se no documento, mas Paulo Macedo acrescentou que estes resultados também se devem aos dirigentes do setor da saúde.

Lusa

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