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Moradores das Avenidas Novas apreensivos com futuro dos terrenos da Feira Popular

Moradores da zona das Avenidas Novas, em Lisboa, mostraram-se hoje apreensivos, na Assembleia Municipal, em relação ao futuro dos terrenos da antiga Feira Popular, que a autarquia prevê vender ainda este ano em hasta pública.

Cerca de 50 pessoas marcaram hoje presença no Fórum Lisboa, sede da Assembleia Municipal, que acolheu ao final da tarde uma audição pública sobre a alienação dos terrenos da antiga Feira Popular, aberta "a todos os interessados", e na qual intervieram oito munícipes e o presidente da autarquia, Fernando Medina.

José Soares, que além de morador na zona é presidente da associação de moradores das Avenidas Novas, mostrou-se preocupado com facto de a Câmara de Lisboa querer "vender este terreno sem mostrar o estudo em que se baseia para estabelecer 60% [valor mínimo que pode ir até 80%] para uso terciário (comércio e serviços) e 20% [valor mínimo que pode ir até 40%] para habitação".

"Há ou não uma política de repovoamento do centro da cidade? Onde há excesso de espaços para o setor terciário não é exagerado construir mais?", questionou.

A mesma questão foi levantada por outros munícipes, como Augusto Vasco Costa, que defendeu que "a área de habitação devia rondar os 40/45%".

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, alegou que o projeto não deve contemplar uma percentagem maior para uso habitacional porque "quando se fala de repovoamento da cidade, este deve ser alicerçado na reabilitação do edificado existente e não pode vir por parte de construção nova".

Além disso, na zona em questão "é mais vantajoso consolidar a área de comércio e serviços do que expandir a de habitação". "A cidade precisa de habitação a renda acessível (destinada a jovens e à classe média) e neste projeto a construção é de alto valor, será para estratos de muito elevado rendimento", disse ainda o autarca.

Fernando Medina sublinhou ainda que Lisboa "necessita de espaços para escritórios e empresas, elemento central para haver mais empregos na cidade" e há "muitas empresas com vontade de se instalar na cidade, mas não há [terrenos com as] dimensões necessárias para as acolher".

Os munícipes falaram também na falta de equipamentos, sociais e culturais, naquela zona, com Licínia Dias a sugerir uma "reposição do Teatro Vasco Santana [que funcionava no recinto da Feira Popular]. "Devia ser considerado pelo menos um espaço cultural naquele terreno", defendeu.

Também José Soares falou da importância de a Câmara considerar "contrapartidas para usufruto da população, quer na área cultural quer social, como lares, creches e parques infantis".

Fernando Medina deu razão aos moradores quanto à falta de equipamentos naquela zona da cidade, onde ele próprio vive, revelando que a Câmara "reservou um terreno camarário, com cerca de 12 mil metros quadrados na Avenida Álvaro Pais, alocado à construção de um equipamento, cuja natureza não está definida".

O autarca recordou que a Câmara decidiu vender o terreno da antiga Feira Popular "numa unidade única e não por parcelas", por ser "a solução que assegura que a autarquia tem a faculdade de aumentar as zonas de fruição pública e espaços verdes".

"Há uma obrigação de que o projeto a implementar tenha pelo menos 50% de área aberta de circulação pública e pelo menos 30% de área verde", disse.

A Câmara de Lisboa, de maioria socialista, aprovou a 01 de julho, com a abstenção da oposição, a colocação em hasta pública do terreno da antiga Feira Popular, por um valor base de 135,7 milhões de euros.

A proposta da Câmara terá agora de ser debatida e votada na Assembleia Municipal. A autarquia prevê lançar a hasta pública, caso seja aprovada, em outubro.

O terreno da antiga Feira Popular, nas avenidas das Forças Armadas, da República e 05 de Outubro, em Entrecampos, foi colocado em pré-anúncio de venda na Internet em março, no 'site' cidadedeoportunidades.cm-lisboa.pt.

Em causa está uma área de construção superior a 143 mil metros quadrados, enquanto a parcela de terreno correspondente à antiga Feira Popular é de 42.610 metros quadrados.

Lusa

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