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Educação em Portugal é teórica, com muitos exames e pouco flexível

O docente universitário e especialista em ensino da matemática Jaime Carvalho e Silva considerou hoje em Coimbra que a educação em Portugal é "muito teórica", com demasiados exames, pouco flexível e com um sistema feito "à base do remendismo".

Em Portugal, "não há planos, nem há ideias. As medidas são tomadas de forma avulsa, sem que haja uma visão global das competências que um aluno deve ter no fim do ensino secundário", disse à agência Lusa Jaime Carvalho e Silva, coordenador do projeto de investigação "Comparação dos exames nacionais em Portugal com os de 12 outros países".

O docente da Universidade de Coimbra apontou para a necessidade de um trabalho de monitorização do sistema educativo, para que haja um plano coerente e reformas baseadas nesse acompanhamento, apontando como exemplo o caso de Singapura, país que será tema de debate no sábado, numa conferência do projeto, a ter lugar no Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, às 10:00.

A Singapura, "que está nos primeiros lugares" nos programas internacionais de avaliação de alunos, tem um instituto independente do Ministério da Educação que monitoriza o sistema, levando a que, de seis em seis anos, os novos programas sejam feitos "com base nessa monitorização", explanou Jaime Carvalho e Silva.

"Aqui, todo o sistema educativo é à base do remendismo. É tudo feito à pressa, sem que haja um retrato do sistema, com dados dispersos e sem se saber o que aprendem efetivamente os alunos", criticou.

Apesar de o sistema singapurense "ter as suas falhas", está "centrado no aluno", os programas "são pouco teóricos" e é "muito mais flexivo e permeável" do que o português, permitindo ao aluno mudar de trajetória com facilidade, apontou.

Já em Portugal, "a utilidade é desprezada na educação", sendo esta "muito teórica" e centrada no professor, sublinhou.

Quanto à flexibilidade do sistema português, Jaime Carvalho e Silva também se mostra crítico, considerando que há muitos alunos a mudar de curso no 10.º ano e na universidade, sem que se encontre "uma maneira de se lidar com isso".

Para o coordenador do projeto, há "demasiados exames em Portugal" e, ao mesmo tempo, "são demasiados estreitos", centrados na matemática e português - "o que quer dizer que só interessam essas duas disciplinas".

O projeto de investigação, financiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, começou em janeiro e termina em 2016, analisando os exames e sistemas educativos de Espanha, Irlanda, Canadá, Estados Unidos da América, Holanda, Alemanha, França, Noruega, Coreia do Sul, Singapura, Brasil e Austrália.

Lusa

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